Comportamento

Amizade: como lidar com idéias divergentes?

Ter um pensamento diferente dos demais pode muitas vezes estragar e até mesmo afastar uma relação de amizade

Anaísa Catucci

Uma das contradições mais graves que carregamos no nosso dia-a-dia é de gostarmos de ser considerados únicos e originais, no entanto esperamos que todos pensem como nós e até que sintam o que sentimos. A opinião divergente é muitas vezes algo que estimula a falta de acordos e compreensão.

A psicóloga Adriane Lima, 39 anos, explica que isso ainda é mais pertinente quando a situação acontece com os jovens. “Numa conversa a opinião do jovem tem que prevalecer entre seus amigos, as criticas muitas vezes não são bem vindas, já que são entendidas como uma forma de repreender uma idéia”, analisa. Temas mais banais, como um filme ou uma música podem ser motivo para separar laços de amizade, como afirma o estudante Jean Carlos Amorim, 17 anos,  “ me afasto daqueles que não me identifico, especialmente se estes acreditam que só sua razão é verdadeira”, esclarece.

Talvez as divergências de opiniões não nos deixe livre da condição de preconceituoso. Para Adriane Lima, “quando nos referimos de maneira irônica, indiferente ou humilhante àquele cuja a diferença incomoda, revelamos nosso preconceito, seja racial, religioso, social, político ou intelectual e acabamos rotulando, condenando, sendo orgulhosos” diz. Uma atitude de desprezo pode alimentar e encobrir a inveja.

A atendente Heloisa Cogo, 20 anos, revela que em sua roda de amigos sempre há uma comparação entre o que cada um pensa. “Em nossas conversas observamos nossas atitudes com as outras pessoas e nosso modo de se comportar, aqueles que são diferentes acabam não se identificando e se afastando”, considera Gogo. A atendente também afirma que é preciso que cada um tenha seu critério de avaliação mas que isso acaba virando um consenso dentro da turma.

Para sabermos lidar melhor com as divergências de opiniões temos que reavaliar nossas próprias atitudes e critérios, num processo de aprendizagem diária de convívio com idéias diferentes. O que nos une é a capacidade de sairmos um pouco de nós mesmos e olharmos o diferente com mais carinho e aceitação, respeitando sua mania, defeitos e incoerências.

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A história oral ainda não morreu

A curiosidade em saber sobre os outros e aprender a reconhecer sua história por meio da escuta facilita o próprio reconhecimento

Anaísa Catucci

Se existe duas atitudes que fazemos com freqüência e não percebemos é escutar e contar histórias. Essa forma de comunicação nos ajuda a compreender mais o outro, até mesmo porque passamos a maior parte do nosso tempo falando. As nossas lembranças são recordadas com maior freqüência através da fala do que de forma escrita. O aposentado Carlos Viana, 58 anos, se define como um contador de histórias. Se fosse preciso escolher entre contar ou escrevê-las, optaria sem dúvidas por narrá-las. “Quando vou contando o que aconteceu para alguém percebo que minhas recordações me saltam aos olhos, são desde de detalhes mais bobos até sentimentos que me fizeram mudar o trajeto de minha história”, analisa. A oralidade ajuda também a manter as tradições. Para sabermos sobre o nosso passado muitas vezes recorremos aos velhos papos de nossos pais e avós. Vou dar um exemplo pessoal. Compreendi a formação da minha família e quando reflito sobre a minha forma de pensar e até mesmo sobre minhas atitudes consigo ver muito de mim em meus pais e avós e considero isso muito encantador.  

Ao falar sobre algo não apenas usamos a voz como um recurso de comunicação. Outras habilidades como a linguagem corporal, a expressão facial e outros ruídos e sons que provocamos para retratarmos o momento novamente. A empregada Helena Cunha, 39 anos, reconhece que é preciso brincar e até mesmo representar quando vou descrever uma situação. “Em casa ou até mesmo no trabalho todos tiram sarro de mim, pois quando vou falar sobre alguma coisa faço caras e bocas, mudo minha voz, para ficar parecido sobre o que estou mostrando”. 

Para ter boas vendas também é preciso contar boas histórias, salienta  o vendedor ambulante, Manuel Krewine, 28 anos. Ele recorda que muitas vezes o ditado popular “é conversando que a gente se entende” ajuda a conquistar seu cliente. Dar vida através das palavras faz com que todo o sentimento venha a convergir em um aprendizado sobre nós mesmos, afinal quando vamos no psicólogo ou  no psiquiatra o que mais fazemos é contar histórias sobre nós mesmos. Escutar histórias também faz parte desta prática de refletir sobre nossas atitudes. É preciso interagir para entender as pessoas que nos cercam. 

 

2 Respostas para “Comportamento”

  1. Caderno Digital » Blog Archive » Edição 10 Disse:

    [...] Comportamento [...]

  2. Paulo Lopes Meira Disse:

    Preciso saber diante de tantas lembrança de história de minha familia, sendo desde meus avôs, que nunca ouvir, e não sei como conquista um vida turbulenta de tantas informações, que naq altuta da situação toda confusa mentalmente…

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