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Edição 09 – 30/06/06

Cultura

Esporte preferido dos brasileiros invade as livrarias na Copa

 Novos livros sobre futebol já estão disponíveis nas livrarias do país; apesar de comum, o tema é tratado de maneira especial em cada lançamento

Ana Paula Santos

Em época de Copa do mundo, o comércio brasileiro, de forma geral, se volta à competição. Isso porque tradicionalmente o futebol aumenta as vendas. A explicação está no interesse histórico ele que desperta nos brasileiros. Na literatura, o assunto não é diferente.
Nesse setor, o futebol também anda fazendo gols. Em época de mundial, muitos livreiros e editoras aumentaram o foco sobre o esporte favorito dos brasileiros. Diversos novos títulos foram lançados. Alguns se dedicam à história da Copa, outros sobre a bola, e há até especiais sobre a seleção canarinho. Cada um ao seu estilo, mas todos destrinchando o tema.
Para não ficar de fora dessa partida, nosso técnico Carlos Alberto Parreira, lançou o “Formando equipes vencedoras”, que ele próprio, em entrevista à revista Almanaque, nega ser uma autobiografia ou um livro de auto-ajuda. O técnico-escritor afirma que a obra é sobre a importância dos objetivos e metas para alcançar o sucesso profissional.
Mas a cultura do futebol, ou melhor, o amor por esse esporte, é mundial. E mesmo que alguns não gostem e não se incomodem com o comportamento frenético das torcidas, vale lembrar os pontos positivos que a redondinha proporciona. A paixão pelos esportes faz parte da cultura dos povos. Nesse contexto, dentro ou fora do campo, o futebol é capaz de reunir todos com o mesmo objetivo: torcer e se encantar pelo time favorito.
É natural e louvável essa festa, essa torcida. E também, o interesse na leitura. Se esporte é cultura, então vamos ler sobre ele.
 
 
DICAS DE LANÇAMENTOS SOBRE FUTEBOL:
 
• Como Nascem os Deuses da Bola, José Melquíades Ursi.
• Formando equipes Vencedoras. Carlos Alberto Parreira.
• Copas do Mundo – História e estatísticas. Luis Fernando Baggio.    
• Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo, Paulo Vinícius Coelho.
• Enciclopédia do Futebol, Amir Mattos.
• O livro das Datas do Futebol, Rodolfo M. Rodrigues.
• A magia da camisa 10, André Ribeiro e Valdir Lemos.
• Corações na ponta da chuteira, Fábio Franzini.
• Ronaldo – A Jornada de um gênio, James Mosley.
• Pelé. Os 10 corações do Rei, José Castelo.
• Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha, Ruy Castro.
• Tributo a Gylmar, Marcello Mello.
• Deixa que eu chuto 2 – a missão, Renato Maurício Prado.
• O Futebol Levado a Riso: Lições do Bobo da Corte, Rubem Alves.

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Comportamento

ORKUT: Decadência ou apenas uma fase?

 Fenômeno de desligamento em massa da página de relacionamentos mais famosa entre os brasileiros é real e tem diversos motivos

Lívia Coloniezi

O orkut já não é mais a grande moda da Internet brasileira. A tendência do “orkuticídio” (desligamento de conta no Orkut) já vem sendo observada há algum tempo.  Este fenômeno, tão forte quanto a presença de mais de 80% de brasileiros neste site de relacionamentos, deve-se aos inúmeros erros nas páginas, lentidão, invasão de privacidade e a frustração de adicionar, falar e não encontrar os seus “amigos”.
Há dois meses, a disponibilização da ferramenta que permite ao usuário do Orkut ver quem acessou sua página pessoal causou grande polêmica e mais uma debandada de usuários. Mais recentemente, uma onda de vírus assolou o site. Tudo isso e mais o desgaste natural de uma ferramenta que já é antiga deixam o Orkut com ar de decadência.
A onda de orkuticídios atinge até mesmo antigos fanáticos pelo site. Aline dos Santos, 23, estudante de pedagogia, conta que chegava a entrar mais de cinco vezes ao dia no Orkut. Agora, porém, não está mais entre os membros da comunidade virtual: “Quando começaram a circular notícias de seqüestros facilitados com dados tirados do Orkut, já fiquei assustada e apaguei coisas pessoais minhas. Depois, com aquele negócio de revelar as páginas visitadas, daí que não agüentei e saí mesmo. Às vezes faz falta entrar, mas é mais tranqüilo assim”.
Já Eduardo Mota, 19, estudante de Artes Cênicas, ainda não abriu mão dos encantos do Orkut: ‘Nem ferrando que eu saio. Aquilo é viciante. E esse negócio de poder ver as páginas que o outro entrou não me assusta, Orkut é pra fuçar”.
Aqueles que não desistiram da permanência no site de relacionamento acreditam que o Orkut vai voltar a ser o que era antes. Edigar Pereira, atendente de call center, afirma que daqui a algum tempo o site vai voltar a ser bom. “Com a onda de ‘suicídios’ o Orkut vai voltar a ter poucos membros, vão diminuir aquelas mensagens enviadas em massa e vai voltar aquela áurea mágica do antigo Orkut”, acredita.
Se a crise pela qual o famoso site de relacionamento está passando irá culminar no seu fim ou se é apenas uma fase, somente o tempo poderá dizer.

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 Um vírus chamado Copa do Mundo

Lívia Coloniezi

Uma epidemia desembarcou no País neste mês e cada vez mais gente está exposta ao vírus, já devidamente instalado nos corações e mentes de milhões de pessoas em todo o mundo. Os sintomas são parecidos com os de algumas neuroses – ansiedade, histeria, obsessão, mas o principal sinal da ‘febre da Copa do Mundo’ é o desejo incontrolável de assistir a todos os jogos do Mundial da Alemanha.
Rodolfo Melo, 22, estudante de Engenharia Civil, deixou a rotina de estudos de lado para acompanhar os jogos. ‘É só uma vez a cada quatro anos, acho que posso me dar esse luxo. Mas é verdade que pode acabar complicando, já deixei de entregar trabalhos em duas matérias importantes. A Copa exige tempo’, diz o universitário, às gargalhadas. Melo não se contenta em assistir aos jogos do Brasil e países tradicionais: “quem só assiste aos clássicos perde muita coisa. Equador e Costa Rica foi um jogão”.
No caso do estudante de engenharia da computação, Gustavo Myura, 19, a Copa do Mundo da Alemanha foi uma ótima razão para matar aulas. “Foram somente duas, pois estava em época de provas”, pondera. Mas os jogos que Gustavo escolheu para ver denunciam mais uma vítima da febre do Mundial: Austrália x Japão e Coréia do Sul x Togo. “Saí uns 40 minutos antes do fim da aula para ver o primeiro. No dia seguinte, a aula começava às 10h30, mas nem saí de casa” explica.
Além de alterar a rotina no trabalho, a febre da Copa também tem conseqüências financeiras para os ‘infectados’. Os torcedores compram camisas e outros objetos da Seleção Brasileira para toda a família. Devidamente uniformizado, José Manoel da Costa, 24, estudante de administração, diz que o gasto foi grande. “Eu e minha família compramos uniforme oficial, chapéus, apitos e uma série de frescuras. Ainda nem calculei o prejuízo”, conta.
Na contramão dos fanáticos está o aposentado Inácio Kikuti. Depois do pouco que viu da Copa, ele já se mostra cético até mesmo com a possibilidade de a Seleção Brasileira conquistar o título. “Não gostei. O time esteve muito apático, apenas Dida e Kaká tiveram boas atuações”.
Inácio tem uma explicação para a “indiferença” da maioria da equipe de Parreira: “grande parte desses jogadores não tem necessidade de ganhar. Falta vontade, gana. É o time de R$ 1 bilhão e todos já estão satisfeitos na vida. A Alemanha, não, tem que dar satisfação à torcida”, analisa.
Quanto à ‘febre da Copa’, confessa não ter sido ainda infectado pelo vírus, mas admite que, a partir do terceiro jogo da Seleção Brasileira, nesta quinta-feira , contra o Japão, entrará de cabeça no clima da Copa. “Já marquei um almoço com os amigos para ver a partida. Só não decidi ainda se vou torcer pelo Brasil ou pelo time da terra dos meus pais”, brinca Inácio, que é filho de Japoneses.

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Informática

Google Hearth ganha nova versão

Serviço com imagens via satélite da Terra é incrementado com programa que possibilita maior interatividade com o internauta


Fábio Ciquini

O famoso programa Google Earth, serviço ancorado pela indústria Google que disponibiliza na internet imagens via satélite de todo o mundo, já tem sua quarta versão. O software on-line acaba de ganhar total integração com o programa de modelagem 3D Google SketchUp. A novidade permite ao usuário criar novas edificações e inseri-las nos mapa da sua cidade, por exemplo.
Do ponto de vista da navegação, o Google Earth também sofreu algumas alterações. A apresentação está mais “limpa” e a navegação, mais fácil. Um dos motivos é que a nova barra de ferramentas (parte superior) desaparece, se não estiver em uso.
Outro ponto de destaque da nova versão é sua compatibilidade com o sistema Linux. Com isso, agora o serviço gratuito está presente nos três principais sistemas operacionais do mercado: Windows, Macintosh e “pingüim”.
Ainda apostando na diversidade, o programa está disponível em novos idiomas. A partir de agora, franceses, italianos e espanhóis também fazem parte da Terra.

Londrina mais definida

A cidade de Londrina, no Paraná, ganhou mais destaque com a nova versão do Google Earth. Cerca de 20% do novo conjunto de imagens da cidade, disponibilizadas com alta resolução, é da área urbana e 50% da rural.
Para o assessor de recursos hídricos da prefeitura da cidade, João Batista Moreira Souza, a novidade pode beneficiar a cidade, porque serve de instrumento nas ações de recuperação da gestão ambiental, além do melhor estudo das estradas e, em especial, das bacias hidrográficas.

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Edição 08 – 14/06/06

Cultura

Festival Internacional de Londrina continua agradando ao público

Com uma expectativa de platéia de 100 mil pessoas, o Filo arranca elogios do público cativo

Carla Benedetti

Cores, sons, ritmos, monólogos, interação com a platéia, diversidade de línguas, de países, de culturas. Estes são alguns dos elementos que compõe o Festival Internacional de Londrina, o Filo, que teve início dia 08 de junho e término previsto para o dia 25. Criado em 1968 como um evento de grupos universitários locais, o Festival de Teatro de Londrina cumpriu um roteiro histórico-cultural, passando por décadas de conturbados períodos políticos no país, como a ditadura militar e a redemocratização. Com o passar dos anos, o roteiro teatral do Festival foi se diversificando e se tornando internacional. Com isso, o festival acabou por adquirir um caráter local e universal, ao trazer espetáculos do mundo todo e de Londrina, representando a riqueza cultural da cidade que o abriga.Na lista dos países participantes, estão Canadá, Alemanha, Espanha, Itália, Dinamarca, Suíça, Cuba, Argentina, Peru, Chile e Equador, e claro, como não poderia faltar, o Brasil, com peças londrinenses e de todo o território. Este ano, 47 peças serão encenadas no Festival, quase todas elas com ingressos esgotados. A expectativa de público é de 100.000 pessoas.De acordo com a assessoria de imprensa do Filo, nesta edição, além dos já tradicionais locais de realização do Festival, mais um local para receber os espetáculos. Trata-se do Teatro Crysta. Além do espaço novo, outros oito locais abrigam peças do FILO, além das apresentações ao ar livre, que se realizam em diferentes pontos da cidade, como praças, Calçadão, o Lago Igapó, os Cinco Conjuntos, Zerão e Penitenciária Estadual de Londrina.

Além da programação teatral, o Festival Internacional de Londrina, desenvolve eventos paralelos. Entre as atrações, uma mesa redonda realizada na Penitenciária Estadual de Londrina com o tema “reinserção cultural no meio carcerário”. Oferece ainda, demonstrações, ateliês de escrita técnica de espetáculos e o projeto Criando a Liberdade. Para os organizadores do festival, a idéia é ampliar o acesso á cultura a um maior número de pessoas.

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Devaneios de um homem esquisito

Carla Benedetti

Desde que passei a namorar à distância, há cada duas semanas me aventuro a viajar pelos ônibus da Viação Garcia. E em simples viagens de rotina, histórias não me faltam a contar. Gente que comprou o mesmo assento do banco de viagem, peões de Barretos que cantam seu sertanejo durante parte do percurso, um bando de homens bêbados com aquele cheiro de cachaça ”prontos” para viajar, pessoas que roncam “bem alto” durante toda a viagem…..

A última história foi a de um senhor sentado ao meu lado. Logo que entrei no ônibus e avistei o meu assento ele perguntou. “Você quer sentar do lado da janela e trocar de banco comigo?”. Aí, respondi. “Mas você quer sentar no corredor?”. E ele respondeu, parecendo entusiasmado, que para ele tanto fazia.  Um pouco desconfiada, troquei.

Logo, o senhor se põe a conversar comigo e a contar suas histórias: “Nossa! Sabe, eu conheci uma mulher na internet, mais ou menos da minha idade, 48 anos, e nós começamos a conversar no msn, usávamos a webcam, aquela coisa sabe, e então eu vim para Ribeirão Preto encontrar com ela, nós ficamos, noivamos, e vamos casar em Julho”.  E eu, sem saber o que responder, mas achando positivo aquela felicidade corajosa e aparente, respondi que era legal.

Ainda conversando ele me perguntou o que eu fazia. Eu disse “estudo jornalismo”. E ele respondeu desanimado com um “haan”. Quando perguntei o mesmo, ele me disse que era veterinário aposentado e que foi professor da UEL (até me falou de seu nome que eu não me lembro). Ainda me contou que morava em Rolândia e que tinha um sítio lá. E eu só respondia, ah, que legal.

Durante a viagem, tentei dormir, mas cada vez que eu virava a minha cabeça e olhava a janela, ele sempre dizia alguma coisa, queria conversar. Tinha que fingir que estava dormido, senão, ele começava a falar. Estava sonolenta, meio dormindo, meio acordada, e ele sempre dizia algo para me convencer a ficar conversando com ele naquela madrugada. Não podia me mexer, pois, certamente iria ouvir a voz dele.

Quando estou em Londrina, perto da Rodoviária, o senhor olha para mim como se tivesse me conhecido há muito tempo e diz. “Olha, eu preciso contar uma coisa para você. Eu menti, eu não sou veterinário, eu sou jornalista! Trabalhei muitos anos na RPC e ajudei a fundar o Jornal de Londrina. Todo mundo do departamento de comunicação me conhece”. E continua: ”ah, mas você concorda comigo que se eu falasse a verdade iria parecer que eu estava querendo me aproximar de você, né?”.

Sem entender nada e pensando no absurdo da situação, me deparo com ele, carregando um terço na mão e dizendo que estava rezando em toda a viagem para que a filha dele não brigasse com ele por conta do casamento.

O detalhe é que ele tinha me dito que iria se mudar para Riberão Preto e que estava desconsolado porque na cidade não havia mesquita. Eu só não sabia que no islamismo também se usava o terço.

Comportamento

Torpedos na TV movimentam operadoras de telefonia 

Programas como o Chat TV, no canal 37 da NET, chegam a atrair 1 milhão de mensagens SMS por mês 

André Simões

Há muito tempo os celulares são multifuncionais: com fotos, jogos e compositores de toques como concorrentes, fazer e receber chamadas telefônicas é quase um detalhe. A busca por novos canais a explorar atinge agora um meio inusitado: chats na TV baseados em “torpedos” – como são chamadas as mensagens de texto por celular via SMN.

Quem já se perdeu em uma madrugada insone pelo canal 37 da NET pôde conhecer o Chat TV, programa que é o carro-chefe do gênero. O modelo segue o consagrado nas salas de bate-papo na Internet: usuários se cadastram e trocam mensagens por meio de um canal – de layout, aliás, parecido com o de chats como o UOL. As diferenças ficam por conta da exposição na TV, um deslumbre para os narcisistas, e a dispensa do uso de computador.

A observação rápida de um desses programas leva à impressão de que tudo é uma grande piada. Difícil conter o riso ao ver apelidos como “GataCalienteProcura” a escrever “Estou precisando desesperadamente de um namorado. Alguém?”.Gustavo Braga, 21, estudante de Direito da UEL, confessa que já se divertiu muito com o Chat TV: “Muitas vezes, quando não tenho nada pra fazer à noite e estou sem sono, me peguei vendo aquela porcaria. As mensagens são inacreditáveis! Mas nunca entrei naquilo lá não”, ri o universitário. “Só uma vez”, ressalva, “quando estava muito bêbado e resolvi xingar uma menina”, conta, às gargalhadas.

Para as operadoras de telefonia, porém, o Chat TV está longe de ser besteira. Há uma média de 300 mil torpedos enviados por mês, com picos de 1 milhão de mensagens. E, no que parece ser uma tendência, programas da Band e MTV adotaram a fórmula do SMS como interação, seja em chats ou não. A cada texto por celular remetido, o telespectador paga R$ 0,31 mais impostos, com a renda sendo dividida entre operadoras e integradoras de dados de telefonia celular – as redes de TV dizem não lucrar com os torpedos.

Mesmo entre os usuários, porém, parece haver quem leve o Chat TV a sério. Pesquisando em uma entre as muitas comunidades sobre o programa no Orkut – a maior delas, “Sou viciado em Chat TV”, conta com 1254 membros –, é fácil encontrar relatos e confissões do naipe de “Perdi minha virgindade com uma garota que conheci no Chat TV!! Acreditem se quiser.” Pois é, acreditem se quiser.

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Defesa do jornal impresso em um Caderno Digital

André Simões

A finalidade última – e primeira – dos jornais diários é informar. Da vária sorte a que se tem acesso, alguns são melhores: boa diagramação, a decantada pluralidade um pouco mais presente, redação bem-preparada e salários menos mesquinhos; no outro extremo, outros, de qualidade sofrível, persistem de forma inimaginável – talvez até dê para imaginar, mas seria muito rabugento para um primeiro parágrafo de crônica que se pretende, excepcionalmente, bem-humorada.

O certo é que, do mais bem-conceituado ao mais requenguela, os jornais cumprem, com maior ou menor margem de erro, a função de informar. Seria estapafúrdio demais, até para este simpatizante das teorias de conspiração, supor que as páginas e páginas impressas sirvam apenas para a alienação e manutenção diária dos tentáculos do capitalismo selvagem.

Observa-se, porém, um ataque generalizado à imprensa, da qual a forma mais obsoleta seriam os jornais diários – aqueles, ainda impressos em papel. As omissões e os erros – que são muitos – são sempre lembrados com certo gozo sádico, enquanto os acertos e contribuições… Quais são mesmo?

Espantosamente, os primeiros a denegrir os jornais são os jornalistas. Pelo secular embotamento devido aos baixos salários, à falta de liberdade de expressão, ao iníquo esquema de pautas, os próprios feitores se encarregam de esculhambar o seu produto, reunindo vários defeitos – realmente existentes, reitero – para resumir a utilidade dos jornais a uma máxima famosa e cruel: amanhã, só servem para embrulhar peixe…

Se a informação impressa no papel hoje pode ser descartada amanhã, a informação gravada na mente de cada leitor não é esquecida no dia seguinte. Até o mais ranheta há de admitir – há um pouco, nos jornalistas, de charme autodepreciativo – que os mais informados lêem jornal. Elevando ao paroxismo: não há pessoa bem-informada que não leia jornal.

Além do mais, qual o problema em embrulhar peixe? É uma utilidade que outros meios não têm – embora eu, particularmente, não aprecie frutos do mar. Ainda acrescento outras inusitadas vantagens: servir de forro para tarefas as mais variadas, só os jornais impressos. E o pobre que deita no banco da praça para um rápido e amedrontado descanso não consegue se embrulhar nas rápidas notas do jornalismo on-line.

Esporte

Vitória com “K” maiúsculo

Mesmo jogando aquém da expectativa da torcida, seleção conquista uma vitória importante na estréia da Copa

Fábio Calsavara

Agora sim começou a Copa do Mundo! Que jogo, meu Deus, que jogo! Agora sim a torcida brasileira ganhou toda a confiança que necessitava. A movimentação mágica do quadrado brasileiro envolveu a zaga croata. Ronaldo Fenômeno fez uma de suas melhores atuações pelo escrete canarinho. Ronaldinho Gaúcho quebrou a espinha de pelo menos três marcadores. Adriano abriu a defesa no peito, impondo sua força física. Kaká mostrou que não é mais um menino, e jogou com raça, força e vontade. A seleção brasileira, lá no estrangeiro, foi uma verdadeira representante da pujança e do valor do povo de seu país!!!

Tá bom, menos, menos…

Como todas as estréias brasileiras com vitória nas últimas 67 Copas, o jogo de hoje teve um resultado magro. Um a zero. Mas foi o suficiente. Segundo a filosofia Felipônica (advinda do agora técnico da seleção lusa, Luis Felipe Scolari), o importante é ter mais gols que o adversário. E foi isso que aconteceu.

No começo do jogo parecia que o Brasil iria moer com os croatas. Bolas trocadas de pé em pé pelos vértices do tal “quadrado” na entrada da área adversária davam o tom do que poderia ser a partida. Mas o fogo de palha não durou mais do que dez minutos. O Brasil não chegou ao gol, o que fez com que a Croácia “gostasse” do jogo. Tínhamos o controle. Agora, teríamos que partir nos contra-ataques.

Jogadores como Simunic (CRO), Igor Tudor (CRO) e Robert Kovac (CRO) forçaram a marcação sobre os jogadores brasileiros. De repente, o campo ficou pequeno para todos os jogadores brasileiros. Ronaldo (BRA) não encontrou espaço para se movimentar. Era mais um espectador privilegiado, e não um atacante.

Ronaldinho Gaúcho afirmou antes da partida que, quando ele joga com alegria, tudo fica mais fácil. Acho que nem mesmo a sua mãe, que castiga de um lencinho pra mandar boas vibrações para o dentuço, conseguiu mandar os tais bons fluídos para a Alemanha. Além disso, a marcação cerrada não permitiu que o melhor do mundo mostrasse seus méritos.

Roberto Carlos experimentou o goleiro Pletikosa (CRO) várias vezes. O chute de fora da área tem se mostrado muito eficiente nesta Copa. Seja pela bola nova (que “pega” mais efeito), seja pela força dos jogadores, mandar um balaço de fora é quase gol. Kaká ouviu os clamores populares e, aos 44′ do primeiro tempo, marcou o gol da vitória brasileira. Kraque, com K maiúsculo.

Na volta para o segundo tempo, a Croácia veio babando para cima do nosso time. Foi aí que a defesa, impecável no primeiro tempo, começou a dar os famosos sustos na torcida. Mas nada que o goleiro Dida (BRA) não remediasse. Sempre de olho na bola, ele não permitiu que os croatas empatassem.

Papo vai, papo vem, e Parreira percebe que com a formação original já não irá conseguir mais nada. Decide (iluminado pela luz divina) tirar Ronaldo e colocar Robinho em seu lugar.

Muda o time, muda o ânimo. Só não muda o placar.

Os jornalistas fizeram, ao final da partida, o papel dos judeus no julgamento de Pilatos. Pegaram Ronaldo pra Cristo, só faltando bradar “Crucifica-o! Crucifica-o!” para Parreira. Que ele não jogou nada, é certo, é claro, é líquido. Exigir Robinho no time titular para o jogo contra a Austrália parece ser o novo bordão popular. Mas calma lá! Tudo ao seu tempo.

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Jogo de hormônios De um lado, a adrenalina e o cortisol aceleram o coração nos momentos de tensão; de outro, endorfinas e serotoninas garantem a satisfação depois de uma vitória 

Fábio Calsavara

Acontece a cada quatro anos, dura um mês, e mexe com a cabeça e o coração de nações inteiras ao redor do mundo. As guerras entram em tréguas, inimigos se esquecem das rivalidades, oponentes se aproximam com um mesmo ideal em comum. No Brasil, em especial, a Copa do Mundo desperta paixões, gera discussões e causa nos torcedores uma verdadeira enxurrada hormonal. As conseqüências são visíveis durante as partidas.

A psicóloga Ana Luísa Frontes, em entrevista por e-mail ao Caderno Digital, contou como um jogo de futebol pode causar uma verdadeira revolução no corpo do torcedor. “Existe uma diferença entre o bom estresse (eustresse) e o mau estresse (distresse). O Eustresse é aquele que prepara o corpo para uma situação de perigo, com o aumento dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial e aumento do nível de açúcar no sangue. É o bater ou fugir. Já o Distresse costuma se dar naquelas situações que se prolongam sem solução, nas quais a pessoa repete a vivência frustrante”, explicou Ana. Segundo ela, durante as partidas de futebol, o que ocorre é uma mescla dos dois tipos. “O torcedor fica nervoso por causa do time em campo e acaba misturando esse nervosismo com algumas frustrações que ele leva consigo. Como não dá pra segurar esse estresse todo, o desabafo funciona sempre como uma válvula de escape. Durante o jogo, brincar e xingar em grupo é bastante saudável”, garantiu a psicóloga.

Ao final do jogo, a esperança do torcedor é que o desempenho do seu time acabe por faze-lo sentir-se satisfeito. Isso acontece com a liberação de algumas substâncias ligadas ao prazer, como as endorfinas. “Que a tensão aumenta durante uma partida em que você também se sente em campo, ninguém duvida. O que varia é a intensidade da reação emocional e o modo como o organismo reage”, afirma Ana. Há apenas que se tomar o cuidado devido com a saúde, até porque as emoções muito fortes desencadeiam reações no organismo que, de acordo com a psicóloga, pode acarretar em danos à saúde. “O hipertenso pode sofrer, por exemplo, uma crise de hipertensão devido à maior constrição (estreitamento) dos vasos, o cardiopata com a artéria quase obstruída pode sofrer um infarto agudo do miocárdio e o diabético, nesse circuito emocional intenso, pode sofrer um brusco aumento do nível de açúcar no sangue, resultando em hiperglicemia”, explicou. 

  1. Assista às partidas com amigos ou familiares. Se o coração apertar demais, divida com eles sua ansiedade.
  2. Táticas antiestresse são recomendáveis para os mais tensos: vale uma massagem rápida ou o exercício de respirar lenta e calmamente.
  3. Use roupas confortáveis, que não impeçam os movimentos.
  4. Evite fazer refeições pesadas imediatamente antes do jogo, para não comprometer a digestão.
  5. Providencie um estoque de petiscos leves para o grupo. Fuja de frituras e daqueles alimentos gordurosos.
  6. Bebida alcóolica deve ser evitada, especialmente pelos que têm história clínica de doença cardíaca.
  7. Se a bola não sai dos pés do adversário e o gol está sob ameaça inimiga, saia um pouco da frente da televisão.
  8. As tentativas de distração incluem andar um pouco pela casa, tomar água, comer fruta.
  9. Os cuidados devem ser redobrados quando se é hipertenso, cardiopata ou diabético. Torça, mas não esqueça de tomar os remédios.
  10. Torcedores cardíacos devem estar com a situação clínica estável, sem sintomas.

Informática

Informática influencia no comportamento de jovens

Meu mundo: minha internet. Jogos e amizade são conquistados virtualmente

Anaísa Catucci

“Comecei quando tinha dez anos, quando ganhei um vídeo game. O tempo dedicado pra ele acabou me controlou totalmente. Aos 13, ganhei o computador e minha ansiedade se tornou tão grande em mim que acabei me isolando de tudo o que não era virtual, até mesmo do meu irmão. Hoje eu não consigo mais me livrar do computador e principalmente da Internet.”

O depoimento acima é de um garoto de 19 anos, que se considera como um dependente da internet de carteirinha. Algo que muitos meninos da sua idade reconhecem esse vício como algo normal e que este tipo de estresse já está associado da sua rotina. O caso é de João Paulo Nunes, estudante de biologia, que, na terça-feira, 21 de junho, estava na LAN house há 13 horas e só tinha se dado conta do tempo que passou porque o sistema acabou desligando seu computador automaticamente a partir do valor que ele tinha pago a entrada.

O jogo que mais gosta, que é também uma mania entre seus amigos, é o jogo eletrônico de rede “Counter Strike”. Seu irmão, Maiquel Nunes, 17 anos, o acompanha na jornada, e afirma que pra este tipo de brincadeira “precisa ser muito bom ganhar e quero ser um profissional nestes jogos”. Ambos já passaram madrugadas inteiras jogando.

Seu laço de amizade é dependente do mundo virtual. Os companheiros da madrugada não estudam juntos e nem tem nenhum relacionamento fora da Lan House. João Paulo possui mais de 420 pessoas cadastradas no MSN e no Orkut. Mesmo quando é seu irmão quem está usando o computador na sua casa, os programas ficam abertos para que ele possa verificar suas mensagens o tempo todo. Os irmãos concordam que “é melhor ter amigos pela internet, tudo é mais fácil”.

Na casa dos irmãos, ambos dividem o tempo entre dormir e ficar no computador. Pra não dar briga na disputa do único computador da casa, a mãe prefere deixar que eles usem os computadores da Lan House. “O dinheiro da mesada deles pra diversão eles escolhem os jogos da internet, tento controlar o tempo deles dedicado para o computador, mas cada vez me vejo numa situação de descontrole e sei que os meninos estão ficando doentes”, reclama Silvia Nunes.

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Edição 07 – 07/06/06

Cultura

Atendendo a pedidos, Shakira volta ás origens

Diego Palmieri

Os cabelos continuam iguais, a voz se mantém no mesmo misto sedutor de doçura/agressividade de antes, e, principalmente, as formas esculturais de seu corpo ainda são as mesmas. É repetição afirmar, mas apesar de mais um disco novo, e das novidades saborosas do lançamento, o corpão de Shakira continua sendo o centro da atenção para seu trabalho.

Tudo ia bem até o relançamento de “Oral Fixation Vol. 2”, já disponível no país. Em outubro, Shakira ainda trabalhava no romântico volume 1 (“Fijación Oral Vol. 1”, feito em espanhol) e preparava nossos ouvidos para o novo single em inglês “Don’t Bother”. A música roqueira nada tem de rebolativa e, portanto, parecia que algo diferente estaria por vir. E veio. Lançado em novembro, “Oral Fixation Vol. 2” (em inglês) tende mais para o rock e pouco tem de dançante, o que nos lembra sua fase agitada de “Dónde estan los ladrones?” (1998).

Com o lançamento a cantora atende os desejos dos fãs mais antigos, criticando o sistema (“Timor”, sobre o Timor Leste e o imperialismo) e os costumes (“How do You Do”, onde estabelece um diálogo com Deus). Tudo composto e idealizado por ela própria, que também assina a produção ao lado de Rick Rubin.

O resultado é rico tanto em composição quanto em arranjos, e faz lembrar a atitude punk/rock de décadas passadas. A diferença é que desta vez o som é mais globalizado, como afirmou a crítica do jornal The New York Times. De maneira inteligente, Shakira prova mais uma vez que consegue captar ritmos variados e fundir em uma mesma canção. Como exemplo, a curiosa mistura árabe, flamenca, pop e mexicana de “Animal City”.

Mas a verdade é que o álbum não “colou” nas paradas norte-americanas (porque será?), e um novo boom foi criado. Eis que agora, Oral Fixation 2 é relançada no mundo com a sensação “My Hips Don’t Lie” (em outras palavras, “meus quadris não mentem”). A música é um deleite aos nossos quadris, e festa para os de Shakira (é só ver o vídeo-clipe).

O resultado é mais do que satisfatório. Esta semana, o instituto de pesquisas Nielsen divulgou que “My Hips Don’t Lie” (feita em colaboração com Wycleaf Jean) é considerada a música mais executada de toda a história do rádio nos Estados Unidos. Em uma semana tocou 9.657 vezes! Para completar, ela e Wycleaf deverão participar das comemorações de encerramento da Copa do Mundo de Futebol, em 9 de julho.

Felizmente ou infelizmente, é com o estereotipo bombshell que a carreira da cantora está comprometida. Depois de testada em 2001 com o hit “Whenever, Wherever”, a imagem parece definitiva. O complicado vai ser quando ela enjoar.

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Tecnologia Personal

Diego Palmieri

Há dez anos, certamente, seu presente seria diferente. Ao chegar do trabalho, desceria do carro para abrir o portão de casa e, uma vez lá dentro, correria ansioso para a TV com o único objetivo: apertar o REW do vídeo (leia-se: rebubinar o programa da tarde, enquanto durasse a ducha). Cansado e cheio de fome, saberia que algo de ontem (torcendo pelo calor do quatro bocas) o esperaria na geladeira.

Sem essa de “checar o e-mail”, “espiar o Orkut”, e “bloquear você no MSN”. Não haveria “ignore list”, muito menos espaço virtual acessível. Enquanto o vídeo se ajustasse no inexistente canal 3, preocupado, você estaria andando pela casa atrás do carregador de seu celular monocromático, monofuncional e monolítico.

Não, seu PS2 não figuraria na estante, muito menos sua sofrida coleção de filmes em DVD da Folha de S. Paulo. O negócio era mesmo assistir a fita com a Sessão da Tarde de “Jurassic Park”. Outra opção seria a novela das 19 hrs., mas você detestava Christiane Torloni brincando de gêmea em “Cara e Coroa”. Descobrir quem matou Odete Roitman em “A Próxima Vítima” era melhor.

Esparramado no sofá com o prato na mão, você se veria sentado no sofá curtindo a genialidade de Spielberg. Claro que não ouviria com riqueza o sopro do t-rex, muito menos a intensidade da pisada do simpático brontossauro; afinal, seu equipadíssimo home teather não estaria por lá. “– Ah, mas no cinema seria outra coisa!”. Mas lembra que você acabou se atrasando, e quando chegou ao shopping (duras horas antes da sessão), não havia mais entradas? Então, naquela época o cinema nem sonhava com reservas online, muito menos você.

Depois de descobrir que haveria sim uma continuação (o final do filme lhe reservaria essa surpresa), podemos ver você desligando a TV desanimado, resmungando da indústria cultural. Mas nem queira pensar em pegar seu Ipod para ouvir música na cama, enquanto o sono não viesse. Ele não funcionaria naquela época. Na verdade, o Metallica ainda era jovem e nem sonhava em comprar briga com o Napster.

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Video-clipes made in Londrina

Parceria entre produtora e bandas gera os primeiros vídeos-clipe produzidos inteiramente em Londrina 

Núbia Tavares

Referência regional na produção de curtas-metragem, a Kinoarte – Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina, agora envereda por outros caminhos. Agora, a produtora investe no filão de vídeos-clipe. A necessidade das bandas locais divulgarem seu trabalho fora da cidade foi grande fator que gerou a demanda pela produção de vídeos-clipe em Londrina.
O primeiro trabalho produzido pela Kinoarte foi o videoclipe da música Aloha, da banda Surface. “Nos conhecemos as dificuldades do pessoal da música para divulgar o trablaho, porque encontramos os mesmos entraves no que toca a produção de filmes. Então, o contato foi natural”, conta o sócio fundador da Kinoarte, Bruno Gehring. “O pessoal da Surface nos procurou e perguntou se topávamos produzir um vídeo, e nós topamos. Depois disso, outras bandas daqui também nos procuraram para fazer a mesma coisa”, afirma.

Segundo Gehring, a produção do vídeo-clipe é relativamente fácil. “Você não precisa seguir um roteiro como é com o filme, no cinema. Sua matéria-prima é a imagem, já que o som é a música”, diz. O cineasta ressalta, no entanto que, como as imagens são a matéria-prima do vídeo, sensibilidade para escolher as melhores imagens é essencial. “Tem que saber o que fica legal e o que não fica. As imagens têm que complementar a informação que a música passa”, conta Gehring. “Agora, o mais legal no vídeo-clipe, é a liberdade de criação que você tem”, completa.

O último clipe produzido pela Kinoarte foi da banda Trilobitas, a partir das imagens feitas durante um show do grupo em uma casa noturna da cidade.  Mas mesmo com muito, trabalho, Gehring conta que os vídeos são produzidos “na base da amizade”. “O pessoal ta tentando buscar um espaço, assim com nós. Londrina é uma cidade muito ingrata no quesito cultural. Fazemos o clipe porque somos todos amigos, mas não ganhamos muito dinheiro com isso. Queremos ajudar eles, e eles ajudam a gente. Tudo é uma troca”, afirma o sócio da Kinoarte.

Comportamento

Para todas as idades

Perfil de leitores mostra que quadrinhos não é apenas uma brincadeira de criança Maicon OliveiraRevistas coloridas com arte sofrível e histórias de seres poderosos com a cueca vestida por cima da calça. Para muitas pessoas esta é a definição das histórias em quadrinhos. Um subproduto juvenil, arte barata e descartável. Porém, os fãs da arte seqüencial sabem que a nona arte é tão rica em temas e tão capaz de contar uma boa história quanto qualquer outro veículo de comunicação. Ë bem possível que o atual leitor de história em quadrinhos adulto tenha iniciado sua paixão por quadrinhos, ainda quando criança, lendo muitos gibis na sua infância. Mas, o mercado desse segmento nos mostra que os leitores desse gênero são de todas as idades.“Muitas pessoas acham estranho o fato de uma pessoa da minha idade entrar numa banca de revistas pra comprar uma revista do Batman ou do Superman”, diz o estudante Alexandre Silveira, 22 anos e colecionador desde os 11. “Pra essas pessoas, os quadrinhos não passam de revistinhas infantis. Elas falam isso, porque nunca conheceram (os escritores de quadrinhos) Alan Moore ou Neil Gaiman, com suas histórias completamente adultas” ressalta.De fato existem inúmeros quadrinhos que não ficam atrás de nenhum outro meio de informação quando o assunto é uma boa história. Maus de Art Spiegelman pode até enganar os desavisados pelos bichinhos desenhados em suas páginas. Entretanto, o autor recebeu um prêmio Pulitzer especial pela história que aponta as agruras sofridas pelos seus pais, judeus na Polônia ocupada durante a segunda guerra. E ele fez isso justamente desenhando os judeus como ratos, nazistas como gatos e os americanos como cachorros.Acostumados a conviver com os fanáticos leitores, os donos de lojas especializadas em quadrinhos concordam que há muito tempo as HQ’s deixaram de fazer parte do universo infantil. De acordo com João Jorge Caranjo, da Revistaria Odisséia, cerca de 80% dos consumidores de sua loja tem idade acima de 20 anos. “Algumas crianças até procuram por títulos que são inspirados em desenhos animados como Dragon Ball mas, boa parte do pessoal que vem aqui procura por revistas como X-Men ou Batman, ou os clássicos adultos como Sandman ou Sin City” diz. Para Caranjo, o perfil dos leitores de histórias em quadrinhos mudou muito na última década. “As crianças que liam Turma da Mônica alguns anos atrás cresceram e agora procuram por histórias mais elaboradas”, ele completa.

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Entenda o mundo dos quadrinhos

Maicon Oliveira

Pode parecer incrível, mas quadrinhos não são “coisa de criança”. Boa parte dos quadrinhos que estão nas bancas hoje, é para público designado como jovem-adulto passando para o adulto.
Existe uma variedade muito grande de estilos dentro do gênero de quadrinhos, e essa classificação não restringe o público por faixa etária. Vejamos algumas categorias:

Mangás: os quadrinhos japoneses (orientais).
Este gênero geralmente conserva a forma de leitura oriental, de trás para frente. Com desenhos de personagens orientais, são marcados pelo texto de poucas palavras porém, o  discurso visual envolve muita ação e utiliza-se de recursos muito próximos à narrativa cinematográfica. A temática é bastante variada: aventura, ação, romance, ficção, humor e sexo entre muitos outros estilos. São séries colecionáveis, como novelas que possuem, começo, meio e fim. Boa parte dos mangás são feitos em preto e branco.

Comics: os quadrinhos americanos.
Os personagens mais comuns são os grandes super-heróis: Batman, Superman, Homem-Aranha e X-Men são exemplos. Em geral, as histórias tratam da eterna luta do bem contra o mal, com muita ação e bastante pancadaria. Os personagens são bastante antigos e, por isso, muitos leitores iniciantes não têm a oportunidade de conhecer a origem e o desenvolvimento da trama. E, normalmente não há um final para essas histórias, existem apenas fases onde os vilões se alternam, sem um fim claro. Esse tipo de quadrinho também é colecionável, mas não como uma novela, eles também podem ser lidos como histórias isoladas.

Quadrinhos infantis: os gibis.
Aqui os personagens são infantis e cada revista pode ter várias histórias curtas sobre um personagem e/ou sua turma. Os temas, voltados para as crianças, são de fácil entendimento, normalmente bem-humorados e educativos. Essas sim, são publicações muito coloridas.

Quadrinhos adultos
Podem ser histórias com personagens mais recentes ou antigos. Grande parte das obras deste gênero é publicada no formato de livro ou encadernados e não costumam ter uma periodicidade definida. Podem ser mini-séries ou números únicos (isolados). As temáticas são muito variadas: vão do humor ao drama de guerra, da aventura ao suspense. Boa parte das obras possui elementos como: violência, erotismo, política, temas polêmicos e um humor mais escrachado, muitos possuem até palavrões e por este motivo são desaconselháveis para menores.

Essa classificação ajuda a caracterizar cada tipo de leitor. Entretanto, o fã de quadrinhos que é extremamente fiel, conhece muitos títulos e experimenta novas leituras sempre.

Esporte

Ginástica londrinense recebe prêmios em Curitiba

No último final de semana, dezoito atletas da cidade conquistaram boas colocações em campeonato realizado na capital do estado o evento quer incentivar a prática do esporte

Mayra Marin

Na última sexta-feira, dia 1º de junho, 33 ginastas londrinenses foram para Curitiba participar do Meeting, um “tri-torneio” organizado pela  Federação Paranaense de Ginástica. A Associação Londrinense  de Ginástica Artística (Alga) vai levar atletas com idades entre três e 22 anos para conhecerem e competirem com outros atletas do estado.

O Meeting é chamado de “tri-torneio” porque é realizado em três etapas: um circuito, um festival e um campeonato. O evento, que está em sua terceira edição, preza pela divulgação da ginástica olímpica e integração dos diversos clubes paranaenses: “Mais do que disputa, o evento  tem como principal objetivo a divulgação da ginástica olímpica e a integração dos clubes de treinamento de todo o Paraná”, afirmou Rosana  Sohaila Moreira, coordenadora  administrativa da Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga). Crianças de três a cinco anos vão participar do “circuito baby” e, segundo, Rosana, este evento é muito importante para os alunos: “É uma boa oportunidade para incentivar a criança a continuar praticando o esporte”, declarou.

Outra etapa do evento é o festival, que reúne a apresentação de crianças iniciantes na ginástica olímpica. “Essas crianças montam uma série e apresentam aos juízes, mas não são avaliadas. A intenção é sempre motivar os atletas”, destacou Rosana.

Já no campeonato, terceira etapa da evento, os atletas, são divididos por faixas etárias, se apresentam e são submetidos a julgamento. Na opinião da coordenadora, a equipe londrinense foi muito bem, já que voltou pra Londrina com dois segundos lugares e 16 terceiros  lugares, nas diversas categorias.

alguns anos atrás cresceram e agora procuram por histórias mais elaboradas”, ele completa.

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Depois de dez anos de espera, skatistas londrinenses “ganham” pista

A obra, no Centro Social Urbano, ainda está em andamento, mas centenas de adeptos do esporte já usufruem da pista

Mayra Marin

“Para nós, que sempre batalhamos e cobramos a obra da prefeitura é como ver um sonho antigo realizado. Ando há mais de 20 anos na cidade, sempre senti a falta de um espaço público aqui. Não sei o número de vezes que já fui para as cidades da região andar”, conta Murilo Toma, dono de duas lojas do segmento na cidade e colaborador da Associação de Skate Londrinense (ASKL). Para o presidente da ASKL, Igor Mori, era “uma brincadeira” Londrina não ter a sua pista pública de skate, enquanto Curitiba já possui dez delas e cidades menores como Ibiporã, Cambé, Rolândia e Arapongas também têm o seu espaço. “Durante todos esses anos, os nossos atletas foram obrigados a sair para a região para treinar”, diz Mori.

Mas, depois da longa espera, a pista saiu, como parte de um projeto de revitalização que está sendo executado no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (região central). A pista começou a ser construída há oito meses e deve ser concluída ainda este mês, com um custo aproximado de R$ 161 mil e área total de 2,5 mil metros quadrados. A obra foi fruto de muitas discussões e reuniões entre representantes da ASKL, Secretaria Municipal de Cultura, Fundação de Esportes e prefeitura. O coordenador do projeto, Júnior Tofano, da Secretaria de Cultura, disse que a intenção foi fazer um “skate park”, com vários obstáculos que atendessem às necessidades de praticantes de todas as idades e de diferentes níveis técnicos. “Tudo que foi feito ali é para a prática de skate, os bancos, rampas, corrimões, barrancos, escadas, as mini-ramps, tudo ali foi interligado para incentivar a molecada inventar novas manobras”, comentou.

Tofano, que também é skatista há 20 anos, concorda que a pista “é como um sonho”; “era uma reivindicação antiga que enfim está sendo atendida”. A revitalização do espaço inclui também a reforma de quatro campos de futebol (três suíços), a construção de uma pista de atletismo, de um anfiteatro e do orquidário municipal, além da revitalização de duas quadras de esporte.

O CSU será ainda a nova sede da Escola Municipal de Circo. “O objetivo do município é valorizar e movimentar o espaço, que estava ocioso, com uma série de atividades sendo realizadas lá ao mesmo tempo”, afirmou Tofano.
Mesmo tendo sido construída num local diferente do requisitado pelos skatistas, eles não reclamam. O único receio é com relação à segurança: “Sempre pedimos à prefeitura uma pista no Zerão, que é o local mais central e também o mais utilizado pelos praticantes. Mas como foi feita aqui no CSU espero que funcione e que haja ampla utilização pelo pessoal ligado ao skate, às bikes e aos patins. Quanto mais gente no local, mais segurança para nós”, concluiu Toma, da ASKL.

Informática

Web 2.0: chega a hora de repensar conteúdo

Apague o que você aprendeu sobre internet até agora. Está começando uma nova revolução digital

Lívia Coloniezi

Quando ouvimos a pergunta “o que é internet?” a resposta está na ponta da língua: “é a rede mundial de computadores”. Bem, a partir do surgimento da Web 2.0, a internet deixou de ser uma rede mundial de computadores e se tornou uma plataforma. Na verdade, a internet em si continua a mesma. O que mudou foi o jeito de entendê-la. O termo “Web 2.0″ corresponde a uma série de tecnologias, recursos e tendências que devem virar o mercado de softwares de cabeça para baixo.

Quando a internet começou (Web 1.0), era feita de sites que publicavam conteúdo. Era uma forma digital de fazer exatamente a mesma coisa que a mídia impressa já fazia há séculos. Com o amadurecimento da internet, as pessoas começaram a perceber que ela é muito mais que simplesmente publicação de conteúdo em sites, poderia ser um meio de prestar serviços. Estes serviços são prestados através de programas, que rodam em uma plataforma: a própria internet.

Esta idéia de internet como plataforma é a essência da web 2.0. Mas, o que é uma plataforma? Talvez não seja o melhor, mas o mais popular exemplo é o Windows. De forma bem simples e superficial, a plataforma é o lugar onde os programas existem. Ela dá os elementos que os programas precisam para existir.

No caso do Windows, por exemplo, a janela é o Windows que faz; o que está dentro dela é o programa que faz. Quem diz o que deve ser impresso é o programa, quem manda a informação para a impressora é o Windows, a plataforma. A internet é assim: um lugar, um ambiente, a plataforma.
Para acompanhar a tendência, a Microsoft anunciou uma completa reformulação em seus produtos e serviços para a Internet. Lançou o Windows Live, um portal que pode ser personalizado pelo usuário com módulos de conteúdo, e o Office Live, um conjunto de serviços online que serão agregados ao seu pacote de programas de escritório.

Na web 2.0 o usuário não somente lê a informação. Mas envia informações ao software que poderão ser lidas por outros usuário (comentários em matérias, scrapbook do orkut, blog, fotolog etc), pega as informações para usar para outros fins em outros softwares (clipping de uma notícia em um blog), transforma a informação (Wikipedia), exibe e recebe a informação do jeito que  preferir (RSS, XSL, newsletter), compartilha informações instantaneamente (Messenger). Enfim, o único limite que existe para o usuário interagir com o conteúdo é a sua própria criatividade.
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Edição 04 – 25/05/06

Cultura

“O Código Da Vinci” faz muito barulho por nada

Protestantes e católicos de Londrina concordam que filme não ameaça a fé cristã

Emerson Araújo

Estreiou em cinemas do mundo todo, no último dia 19, o filme “O Código Da Vinci”, baseado no livro homônimo de Dan Brown, que tornou-se um fenômeno de vendas, com milhões de leitores espalhados pelo globo.

A obra defende que Leonardo Da Vinci teria codificado mensagens secretas em seus quadros, além de mostrar uma série de outros eventos cercados por uma aura de mistério, que revelariam segredos da Igreja Católica. 

No filme,um curador do Museu do Louvre é assassinado. Ele pertencia ao Priorado de Sião, uma sociedade secreta que guardava o segredo do Santo Graal e das mensagens cifradas nas obras de Da Vinci. Segundo o diretor, o cálice sagrado seria Maria Madalena, que teria casado com Jesus e seus descendentes seriam os pertencentes a essa sociedade, existente até os dias atuais e é justamente neste ponto que o filme polemiza.

Para os críticos literários, Dan Brown é um escritor mediano, com um texto não muito elegante e repetitivo. Mas o mérito de Brown, e talvez o que justifique seu sucesso, é sua narrativa ágil, que sempre conduz o leitor a tramas intrigantes, prendendo atenção do início ao fim do livro.

Não fosse por isso, “O Código Da Vinci” seria apenas mais uma obra a questionar os dogmas cristãos. Porém, alguns setores da Igreja Católica se posicionaram negativamente ao filme, cogitando sua proibição em alguns países ou modificações no roteiro, com a justificativa de que o filme representa uma afronta à ideologia cristã, instaurando assim a polêmica.

Em Londrina não houve manifestações inflamadas contra o filme, mas tanto a Igreja Católica quanto algumas protestantes concordam que ele não apresenta argumentações sólidas para questionar a fé cristã. O líder evangélico, Reinaldo Leme, viu o filme e considera que “o Cristianismo não pode ter seus dogmas, construídos ao longo de dois milênios, abalados por interpretações subjetivas de escrituras apócrifas, como faz Dan Brown”. Disse ainda que o grande problema do filme é fazer ficção como se tudo o que se apresenta na tela fosse verdade, sem alertar o público para isso.

Para ele, o filme deve ser encarado apenas pelo que representa, um entretenimento. Faz coro às suas declarações o Monsenhor Antônio Luiz, da Mitra Diocesana de Londrina, que vai mais além, ao afirmar: “não há fundamentação documental ou historiográfica no que defende o autor”. Segundo o Monsenhor, a aceitação do que apregoa Brown depende da fé das pessoas que forem ver o filme, se ela for consistente, não será abalada.

O dentista Fabrício Siqueira de Oliveira, 28 anos, abordado por esta reportagem na fila do cinema, quando esperava para ver o filme, disse que já leu o livro e não acredita que a argumentação do autor seja tão significativa a ponto de abalar a fé de um cristão, mas ressaltou que “não tendo a Igreja provas científicas a respeito de alguns fatos que o filme aborda, a interpretação é de caráter particular”.

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Femucic seleciona quatro londrinenses

Em sua vigésima oitava edição o festival vai reunir artistas de 17 estados brasileiros, que vão totalizar 61 apresentações
 

Anaísa Catucci

Começa nesta quarta-feira (dia 24) o Festival de Música Cidade Canção (Femucic) considerado um dos maiores festivais da região. Foram feitas mais de 300 inscrições. No Paraná concorreram 200 canções, mas apenas 32 foram selecionadas, sendo quatro autores londrinenses: João Vidotti, Marco Tureta, Roberto Oliveira e Marcos Antonio Gomes.

“Pra que lado eu vou, pra que lado existe outro planeta, outra constelação. O trem voador vai sair por aqui, sair carregado de gente que queira mudar pra melhor, bem melhor” (Trecho da música “O trem voador”)

João Vidotti é o autor da primeira música que vai abrir o festival. Com o título “O Trem Voador”, a peça é uma mistura de samba de avenida com rock. Desde criança o compositor convive com a música, na sua família os avós eram músicos autodidatas e isso acabou incentivando o autor a fazer o curso de música na graduação. Integrante da Banda Primos da Cida, Vidotti desenvolve um trabalho paralelo contemplado agora no Femucic. Segundo o compositor  “o trem voador nos carrega para algum lugar que pode ser físico ou até mesmo espiritual, dentro de cada uma das pessoas”.

Marco Tureta teve sua música selecionada entre as 5 instrumentais que vão ser apresentadas no Festival. Tureta é formado em música, trabalha com composições de trilhas sonoras para teatro, ballet, internet e game. Aprendeu a tocar violão clássico aos 13 anos, depois largou o curso de direito para fazer música. Desde 1999 compõe peças para o Ballet de Londrina e participa pela terceira vez no Femucic. “No meio musical chamamos esta música de não torta, ela é convencional, acessível, porém não comercial, pois ao ouvir já dá para prever como vai acabar”, afirma o compositor.

“Quando a moça no samba, no frevo, no chote, ou no chachado. Seu corpo não é só corpo, como o corpo é corpo transformado. Num instrumento de percussão e de tamanha repercussão no meio do salão” (Trecho da Música “A moça”)

Roberto Antonio de Oliveira participa pela segunda vez no festival. Ele define sua canção selecionada como uma mistura de ritmos. “A música “A Moça”, é algo que sempre procuro colocar nas minhas composições, esta em especial tem uma influencia marcante da música africana”, afirma. Quando perguntado sobre quem é a moça dá um risada e explica que a letra “é uma relação entre uma mulher e os ritmos da percussão”.

“Agora deixa de frescura, deixa de conversa mole, põe a mãozinha na cintura, rebole, rebole (…) Troco a eternidade por um triz pra estar no seu tempo na hora do bis” (Trecho da Música “Samba do Bole Bole”)

Marcos Antonio Gomes, Marquinho Gomes como é mais conhecido, afirma que um compositor só é consagrado quando sua música é analisada e escolhida para participar de um festival como o Femucic. “O festival é bastante cobiçado, tem gente do Ceará, Manaus e fazer uma apresentação para um público com mais de 800 pessoas é uma surpresa”, diz ele. O samba selecionado tem um formato tradicional, com rimas que encaixam. “É uma música que agrada, é alegre, tem um modelo sem frescura e as pessoas sempre se envolvem”, declara Marquinhos. 

As apresentações do Femucic vão até sábado (dia 27), no teatro Calil Hadad, em Maringá. A entrada é franca. 

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Crônica: “Da dor e outras agruras”

Fábio Calsavara

São 2h43 da madrugada de quinta para sexta-feira. Passou o efeito do Buscopan que eu tomei à tarde e a cólica renal não passa… Cólica não, “espasmos do trato gênito-urinário”, como diz a bula.

Não tenho miastenia grave, megacólon, glaucoma descompensado, hipertrofia prostática com retenção urinária, estenoses mecânicas do trato gastrointestinal e nem hipersensibilidade ao brometo de N-butilescopolamina. Por isso posso tomar o medicamento sempre que preciso for…

Não senti a boca seca, nem desconforto abdominal ou constipação. Confusão mental, sonolência, cefaléia, inquietação e tontura, só as de sempre mesmo. Palpitação, taquicardia e hipotensão ortostática nem se manifestaram.

Pode ser que os pequenos cálculos que carrego comigo tenham resolvido manifestar a sua presença. Sofro de nefrolitíase há, pelo menos, seis anos. E sei bem como é produzir esses pequenos “cascalhos”, que tanto dóem quando se movimentam. Quer saber como é? Pense em você urinando uma pedra de sal grosso… Dói… Muito…

Mas talvez a dor que eu sinta agora possa ser apenas um reflexo psicossomático, uma somatização qualquer que meu corpo arrumou pra dizer que algo lá dentro, bem no fundo, não vai lá muito bem. Pode ser que o poderoso brometo de N-butilescopolamina, associado ao diclofenaco sódico, não tenha nenhum efeito sobre essas pontadas. Quem sabe a cura, ou pelo menos o alívio, para o meu mal-estar não esteja nas mãos de alguém…

Talvez tudo o que eu precise não esteja dentro de um frasco ou cartela, não esteja dentro de uma prateleira ou mesmo de uma gaveta no banheiro. Talvez, um toque carinhoso, um abraço terno e apaixonado, um afagar de cabelos possa ser o analgésico que eu tanto preciso.

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Esporte

Projeto “Ginástica Olímpica Para Todos” envolve alunos da rede pública

Mais de 800 crianças se beneficiam do projeto, que visa trabalhar a capacidade motora delas, assim como a agilidade, a velocidade e a coordenação

Ana Paula Santos

Em 2000 a Escola Municipal Miguel Bespalhok, em Londrina, começou um trabalho para incentivar a atividade física entre as crianças. E o esporte escolhido foi a ginástica olímpica. Desde então, a ginástica vem conquistando espaço em toda a rede pública da cidade, que já sediou competições em 2003. Atualmente, 30 escolas municipais, estaduais e a Supercreche, no centro, fazem parte do projeto, que é apoiado e incentivado pela Universidade Estadual de Londrina, em parceria com a Associação Londrinense de Ginástica Olímpica(Alga).
Apesar do apoio da Universidade, a parceria financeira da Alga no projeto é com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), que paga os materiais necessários para os treinos. Outros parceiros também apóiam o Projeto, como as Secretarias Municipal e Estadual de Educação e a empresa de telefonia Sercomtel.

O Projeto “Ginástica Olímpica Para Todos” beneficia crianças de 5 a 10 anos, orientadas por estagiários da UEL, que integram o projeto. Ao todo são cerca de 800 crianças que treinam duas vezes por semana e aprendem, de forma divertida, os princípios básicos do esporte, que vem se consagrando cada vez no Brasil.  A modalidade este ano foi incluída pela primeira vez no torneio municipal entre as escolas, reforçando ainda mais a sua importância dentro do quadro de competições. A UEL também faz parte desse incentivo para o crescimento da ginástica. Anualmente realiza a Copa UEL de Ginástica Olímpica, que vem tendo, cada vez mais, a participação de pequenos competidores. No último ano estiveram presentes 43 crianças, entre competidores e observadores.

O projeto deverá se estender no ano que vem, e segundo a coordenadora da Alga, Rosana Teixeira, “há uma grande possibilidade de sair do projeto grandes atletas para o futuro”. 

Termina a novela Guilherme

Jogador desiste da briga com o Londrina e se reapresenta

Núbia Tavares

O Meia Guilherme se apresenta depois de mais de um mês e meio longe do Londrina. Revelado nas categorias de base do Guarani, Guilherme veio para o Londrina  por intermédio do coordenador das categorias de base Udélton Prates. O meia fez seis gols com a camisa alviceleste e foi artilheiro do Tubarão no Campeonato Paranaense. O bom futebol apresentado pelo meia, fez com que o Coritiba, e o Paraná clube se interessassem pelo seu passe. 

O jogador desistiu da ação que movia na justiça do trabalho contra o Londrina, e deve retornar aos treinamentos no VGD. Após o término do Campeonato Paranaense, o jogador entrou na justiça contra o clube, pedindo a liberação de seu passe. Guilherme alegava que o clube não havia depositado seu FGTS e nem teria registrado seu contrato em carteira. O jogador perdeu a ação, e recorreu. Mas a demora no julgamento da ação fez com que o meia desistisse da batalha jurídica.

“Estava cansado de ficar em casa sem treinar. Quero jogar futebol, e o processo estava demorando muito para ser resolvido. Volto, mas não devo jogar a Divisão de Acesso. O clube já está acertando minha transferência para um outro clube”, disse o jogador, em entrevista exclusiva para a reportagem do LANCENET de sua casa em Sorocaba (SP).

Segundo fontes informaram, o Coritiba estaria por trás do ingresso de Guilherme na justiça. O clube teria, inclusive, pago R$ 6 mil pelo honorários do advogado do jogador. O acordo teria sido somente verbal. Mas mesmo retornando ao Londrina, o jogador deve mesmo seguir para a capital paranaense. Como interessa ao clube, o Coritiba agora, estaria negociando com o Londrina. Guilherme tem contrato com o Tubarão até o final deste ano. 

A assessoria de imprensa do Londrina disse que o jogador deve integrar o elenco B do Londrina, que disputa a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, mas fontes informaram que existe um acordo entre o procurador do jogador e o clube, para Guilherme apenas participe dos treinamentos, até ser negociado com outro clube.

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Saiba mais sobre a Alemanha

Rico em carvão e potencialmente industrializado, o país tem cerca de 50 mil brasileiros; deixando de lado o frio, a língua pode ser nossa maior dificuldade

Diego Palmieri

Localizada na Europa central, a República Federal da Alemanha é o maior país em extensão territorial da região e o primeiro em número de habitantes. São 82 milhões de pessoas, das quais 7,3 milhões têm passaporte estrangeiro. Desse total, de acordo com dados da Embaixada do Brasil em Berlim, cerca de 50 mil possuem certidão brasileira – 26 mil deles oficialmente registrados.

A estudante Melize da Silva Colucci, moradora de Hannover, é uma delas. “Morar no país da Copa é uma oportunidade única; afinal, a maior festa do futebol estará nas ruas de casa. A maior vantagem, sem dúvida, é a localização da Alemanha. Fica mais fácil para milhares de fãs e torcedores europeus ‘darem um pulo’. Outra vantagem é que alemães gostam muito de festas. Quando caem na gandaia são engraçados e alegres”, afirma.

Ao contrário do Brasil, onde o inverno se inicia, a Alemanha começa a sentir o calor do verão. De junho a setembro, a média das temperaturas fica entre 18° e 20º, podendo chegar a 35° em algumas regiões.

Mas se o clima é favorável, o idioma pode complicar a vida dos brasileiros. O alemão, língua oficial do país, não é muito comum em nossas escolas. A diversidade também se faz presente na religiosidade do povo. De um lado cristãos, protestantes (luteranos) e católicos, de outro, minorias islâmicas.

Rico em carvão, o país é um grande produtor agropecuário e tem industrialização centrada na produção de bens duráveis. “É um país seguro, forte economicamente, preocupado com causas ambientais, além de ter um lado social muito presente. O governo ajuda muito, o cidadão alemão, principalmente em termos financeiros. As pessoas também são mais reservadas, mais contidas, mas uma vez transpostas as barreiras iniciais, se mostram amáveis, e oferecem uma amizade profundamente verdadeira”, revela a advogada Maria Angélica Garcia, moradora de Munique há um ano e meio.

Após a Segunda Guerra, a Alemanha, hoje unificada, fora dividida em parte Oriental, de influência dos russos comunistas, e Ocidental – originária de áreas governadas pela Inglaterra, França e EUA. É possível conhecer partes do muro que simbolizava a separação do país, e se informar sobre a história de sua demolição ocorrida 1990, visitando a capital Berlim.

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Saúde

Inverno chega e traz doenças e preocupações

Adorada por uns e odiada por outros, a estação exige cuidados especiais, como alimentação equilibrada e atividades físicas

Mayra Marin 

Com a chegada do inverno, as pessoas estão mais propensas a enfrentar gripes, renite, asmas, entre outras. São as chamadas “doenças de inverno”, que afetam principalmente o sistema respiratório. Dados do Hospital das Clínicas de São Paulo revelam que mais de 85 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de doença que afeta o sistema respiratório, e esse número chega a crescer até 40% durante o inverno.

Graças principalmente ao stress, à má alimentação, à poluição e ao sedentarismo, a população está cada vez mais vulnerável a essas doenças, que por sua vez, estão cada vez mais resistentes. As “super bactérias” – que surgiram em decorrência do uso dos antibióticos – estão cada vez mais presentes, e resistindo aos mais fortes medicamentos.

Outra preocupação que vem com o frio é o sofrimento dos portadores de fibromialgia, síndrome que engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição, distúrbios do sono.

No passado, pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Por vezes, problemas emocionais eram considerados fatores determinantes para esse quadro, ou então, um diagnóstico de “fibrosite” era estabelecido. Isso porque se acreditava que houvesse o envolvimento de um processo inflamatório muscular, daí a terminação “ite”.

Atualmente sabe-se que a fibromialgia é uma forma de reumatismo associada à sensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso.

Mas é possível “armar-se” contra essas ameaças. Comer de modo equilibrado – o que significa incluir no prato porções de vegetais e muita fruta – fornece ao organismo os nutrientes necessários para manter em dia os mecanismos de defesa, e é uma dica importante. Atividades físicas são uma espécie de lubrificante do sistema imunológico, pois a oxigenação melhora a limpeza das vias respiratórias.

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Comportamento

Mercado de trabalho para recém-formados: um campo árido

Falta de investimento, poucas vagas no mercado de trabalho, excesso de estagiários, entre outros, fazem da busca por um emprego um verdadeiro vestibular

Fábio Calsavara Primeiro foi o vestibular. Altas concorrências, pressão psicológica, cobranças de todos os lados. Passada essa fase, veio a formação acadêmica. Provas, estágio, tudo para se conseguir o tão buscado diploma. Acabou por aí? Com certeza não. Para a maioria dos recém-formados começa agora a pior de todas as provas: a busca pelo primeiro emprego.Se há uma década possuir um diploma universitário era uma garantia de emprego, hoje o “canudo” já não abre tantas portas assim. Pelo menos é a opinião do professor Gérson Antônio Melatti, que leciona Gestão de RH para os cursos de Administração e Secretariado Executivo na UEL. Para ele, a principal causa da estagnação econômica é a manutenção do número de vagas nas empresas. “Há 15 anos que o país não tem um crescimento significativo na economia. Como o número de recém-formados aumenta cada vez mais, e mantêm-se, na média, o mesmo número de vagas, ocorre o desemprego”, aponta.O estágio, tão desejado por alguns, vem sendo mal utilizado pelas empresas, na opinião do professor. “O estágio tem se tornado um abuso de mão-de-obra. As empresas contratam muitos estagiários, a salários extremamente baixos, com uma carga horária excessiva. Essa combinação é mortal para os profissionais”, explicou Melatti.Para muitos recém-formados, os ideais de início de carreira são deixados de lado, em detrimento dos concursos públicos. “Não são raros os profissionais com pós graduação, até mesmo mestrado disputando vagas em concursos públicos com quem acabou de sair da faculdade. O importante para estes é se estabilizar, receber um salário de 5 ou 6 mil reais por mês, para só depois pensar em seguir a carreira”, disse.Mas para o professor a situação ainda pode ser revertida. Leva tempo, é verdade. Mas ainda existe uma solução. “É preciso que haja um boom econômico no país para que o número de vagas cresça. Falta muito investimento no país para que o número de vagas seja condizente com o número de profissionais que saem das faculdades”, ressalta o professor, que aponta a distância entre a teoria e a prática nas faculdades como outro grande empecilho ao crescimento. “Enquanto as salas de aula continuarem se focando em teorizações, sem dar a devida atenção para o aprendizado prático, essa dificuldade para o recém-formado encarar o mercado de trabalho mais bem preparado ainda vai perdurar por muito tempo”.*************************************************************  InformáticaSpams atrapalham navegação na Internet Os e-mails com propaganda enviados em massa somam 71% do total de mensagens na rede de computadores
 
Lívia Coloniezi Os usuários de internet devem ter a consciência de que cada e-mail que repassam deve apresentar utilidade e segurança; afinal, eles são as próprias vítimas dos perigos que circulam pela rede.

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Games de futebol são aperitivo para a Copa do Mundo

Em ano de copa, internautas se transformam em técnicos e jogadores de futebol

Lívia Coloniezi

Você já abriu seu e-mail e encontrou dezenas de mensagens indesejáveis, que você nem chega a abrir e já manda pra lixeira? Se a resposta for sim, saiba que você não é o único. Afinal, dos 171 bilhões de e-mails que circulam diariamente pela internet, cerca de 71% são spams, as mensagens de propaganda enviadas em massa. A estimativa é da consultoria Radicati Group, que divulgou a mais recente versão do estudo sobre o mercado mundial de mensagens por correio eletrônico.
   
Gustavo Atsushi Sahara, estudante do 3º ano de engenharia da computação, diz que dos 20 a 30 e-mails que recebe por dia, apenas dois ou três contêm conteúdo que interessa. Gustavo explicou que agora este número de mensagens indesejáveis vem diminuindo na sua caixa de entrada porque ele passou a bloquear os remetentes que costumam enviar spams.

Além do incômodo causado pela perda de tempo que os internautas enfrentam ao ter suas caixas de entrada recheadas de spams, também encontram o risco de ver seu computador infestado de virus, adwares (programas indesejáveis) e spywares (programas espiões que se instalam no computador e roubam as infomações contidas nele).

Segundo ele, uma das soluções para o problema seria a conscientização dos internautas para que estes parem de repassar e-mails com conteúdos inúteis e de procedência duvidosa. Essa solução também foi apontada por Aislan Ribeiro Greca, profissional de Relações Públicas. Aislan disse que recebe cerca de 60 a 80 spams por dia e que deleta todas estas mensagens sem ler. “As pessoas também devem parar de cadastrar seu e-mail em qualquer site que encontrar pela frente, assim passarão a receber menos spams com propagandas”, explica Aislan, que também pediu aos seus amigos que parem de repassar e-mails inúteis. 

A poucas semanas da Copa do Mundo, temas relacionados a futebol começam a ganhar mais espaço em diversos ambientes, entre eles a internet. Assim, os já famosos jogos virtuais para gerenciamento de times invadem o mercado e a tela dos internautas fãs desse esporte.

Os gerenciadores são games em que o jogador deve encarar a realidade de técnico e dirigente de clube. Na lista de opções destes jogos estão, o Manager Zone , o Footie Manager, o Sunday League e o brasileiro Game Gol –  todos eles gratuitos e on-line.

Os jogos de gerenciamento oferecem uma oportunidade para os fãs palpiteiros do esporte colocarem suas sugestões em prática. Na tela, os usuários podem comprar e vender craques, além de decidir, por exemplo, os jogadores que entram em campo, o melhor treinamento para cada atleta e as estratégias de seu time.

Essas decisões devem ser tomadas antes do início da partida, pois na hora do jogo não há interferências por parte do “técnico”. Durante a disputa, resta ao internauta observar o sucesso ou fracasso de sua equipe, que, assim como representantes do time adversário, segue instruções previamente definidas.

Por conta destas características, os jogos de gerenciamento funcionam como competições futebolísticas entre robôs, quando técnicos programam as máquinas e vêem no campo, sem a possibilidade de interferências, como elas se saem contra os adversários.

Outro tipo de jogo que atrai o internauta, desta vez como jogador, para os campos de futebol digitalizados é o Fifa World Cup 2006, game oficial do torneio mundial deste ano. A cada quatro anos, tão certo quanto o acontecimento da Copa do Mundo é o lançamento pela EA Sports do game baseado no campeonato.

Trata-se de um produto que, do ponto de vista do marketing e da publicidade, é trabalhado de maneira totalmente diferente, afinal, baseia-se principalmente no interesse do consumidor pelo torneio e, passado o furor deste, perde considerável parte de seu apelo.

O que torna o jogo atraente é a presença das 32 seleções da Copa, dezenas de outras equipes das Eliminatórias, craques, estádios, patrocinadores e todo o circo que rege um dos maiores espetáculos da Terra. “2006 Fifa World Cup” é para aqueles que estão interessados em vivenciar a emoção da competição, ainda que de maneira virtual. 

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Edição 03 – 09/05/06

Cultura

Espetáculo “Fale Baixo” recebe prêmio Nacional

Anaísa Catucci

Agir na dança e romper com a linguagem verbal presente no dia-a-dia, ativando as diferentes percepções e criando uma aproximação com o espectador. Essa é a definição que o coreógrafo e diretor do Ballet de Londrina, Leonardo Ramos, faz do espetáculo Fale Baixo.

A montagem ficou entre as 14 contempladas pelo Prêmio Fundação Nacional de Arte (Funart) de Dança Klauss Vianna, do Ministério da Cultura, e vai receber R$ 30 mil para custear a fase final do projeto, como cenário, figurino e divulgação.

Segundo Ramos, o nome do espetáculo é uma reflexão sobre a nossa realidade. “Colocamos sempre o nosso corpo em segundo plano. Com essa expressão Fale Baixo, estamos querendo dizer: fale menos, tome alguma atitude. Além de buscar outras formas de comunicação que nos faça sair desta prisão estática e dependente da oralidade”.

Com enfoque na dança contemporânea, o espetáculo abriu mão de outros recursos como o teatro e a mímica, para centrar as atenções no movimento humano. “Como o movimento está cada dia mais marginalizado, fora do cotidiano, em que até mesmo as crianças brincam menos e desenvolvem atividades voltadas para o computador, queremos despertar sensações de maneira singular através do corpo com a dança, salienta o coreógrafo da companhia”.

Centralizado nos movimentos físicos, a montagem procura transformar o vertical em horizontal. Ramos explica que o desempenho dos bailarinos exige muito esforço. “O movimento está focado numa distribuição de peso entre braço e pernas, um desafio à própria gravidade, isso acarreta para os bailarinos uma intensa preparação antes e durante a temporada”.

A trilha musical é composta pelas obras da Orquestra de Glenn Miller. Extraída dos antigos discos de vinil, a trilha conserva até mesmo os chiados das músicas para resgatar um clima saudosista da década de 1940, um momento de pós-guerra mundial.

O trabalho começou em outubro do ano passado e deverá ter 32 minutos de duração. A estréia está marcada para o dia 1° de julho, no Cine Teatro Ouro Verde. Depois, faz uma temporada no Rio de Janeiro e volta para Londrina em agosto.

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Karen Debértolis lança “A estalagem das almas”

As imagens do livro são da fotógrafa Fernanda Magalhães

Anaísa Catucci

(…) Leio e releio de memórias os relatos que estão grudados como teimosas lembranças indeléveis em 13 portas onde pobres diabos bruxas e cientistas militares loucos mulheres e homens viveram seus últimos momentos de loucura. Esta é minha sentença por ter roubado durante os sonhos a sabedoria daquele velho homem. Hoje sou eu o estalajadeiro deste mar de provações, não tendo mais o que desafiar neste colóquio de minha parte (…)” (trecho retirado do livro)

Personagens passageiros. Na beira do deserto um lugar para o pouso. Um estalajadeiro observa o movimento de cada um, dentro dos treze quartos. Revelações, situações limite e emoção se misturam entre os diversos sentimentos em que treze personagens estão mergulhados.

O livro ”A Estalagem das Almas” é uma narrativa desenvolvida com a união de texto e de imagem pela jornalista e escritora Karen Debértolis, em parceria com a fotógrafa Fernanda Magalhães, que ficou responsável pelas ilustrações.

O projeto do livro surgiu em 1995. Primeiro, foram construídos os textos, com uma atenção especial para as situações comuns, revelando situações observadas na realidade. “Senti a necessidade de construir paralelamente uma narrativa visual, mesmo trabalhando com muita descrição. Foi aí que propus à Fernanda que ela fizesse uma narrativa fotográfica e que trabalhássemos nesse projeto juntas. Assim, a união do texto com a imagem facilita para o leitor um diálogo entre o que está escrito e a subjetividade presente neste ambiente da estalagem”, afirma Debértolis.

Nos treze quartos, um estalajadeiro conta histórias comuns dos treze personagens. Segundo a autora, o livro não é uma autobiografia. “Não vivi estas histórias, mas a partir da minha observação de situações que tiro da realidade, desenvolvi o texto e a ficção dentro desta narrativa, embora seja fragmentada em cada um dos quartos. Qualquer pessoa pode se identificar com os elementos desta história, pois são acontecimentos rotineiros que trago para o universo do livro”.

O livro foi lançado no início deste mês de maio. É a primeira narrativa da escritora Karen Debértolis, que já publicou mais dois outros livros: ”Caleidoscópio” e ”Guardados”. Com o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), ”A Estalagem das Almas” foi editado pela Travessa dos Editores, tem apresentação de Marcos Losnak, texto de orelha de Wilson Bueno e está sendo vendido em Londrina, nas livrarias Acadêmica e Porto, por R$ 25,00.

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Esporte

Londrina deve anunciar parceria

Fundo de investimento estrangeiro estaria interessado no clube. Anúncio foi feito em coletiva pelo ex-zagueiro da seleção, Ricardo Rocha

Núbia Tavares

O Londrina Esporte Clube deve anunciar uma parceria com investidores em breve. Depois de cinco meses de negociações entre o Londrina, a empresa Rocha&Torres, de propriedade de Alexandre Torres e Ricardo Rocha, e possíveis investidores, o clube anunciou que está próximo de acertar uma parceria com um Fundo de Investimento. A notícia foi dada durante uma entrevista coletiva que ocorreu nesta quarta-feira, dia 10, no Hotel Bourbon. Participaram da coletiva ainda o ex-zagueiro da seleção brasileira, Ricardo Rocha, o sócio do jogador, Alexandre Torres, e o presidente do Londrina Peter Silva.

Rocha afirmou que estão sendo mantidas negociações com cinco possíveis investidores, sendo quatro brasileiros e um fundo de investimento estrangeiro. O ex-zagueiro também afirmou que a marca Londrina tem boa aceitação no exterior. “Os investidores fizeram uma pesquisa sobre o potencial da cidade e viram que vale investir na marca Londrina. A parceria ainda não está certa, mas com certeza, ela está muito bem encaminhada”, afirmou Rocha.

A reestruturação das categorias de base, somada à estrutura do clube – Centro de Treinamento e o Estádio do Café –, foram apontados por Rocha como atrativos para os investidores. “Londrina tem uma estrutura. Essa estrutura precisa de investimentos, mas ela já existe, o clube não está começando do zero. Além disso, pesa o potencial de crescimento da cidade. São mais de 700 mil pessoas na região, não é difícil colocar trinta mil pessoas no Estádio do Café, e isso é ótimo para qualquer empresa que queira investir no clube”, completou o ex-zagueiro da Seleção Brasileira.

Se firmada, a parceria deverá ter uma duração mínima de cinco anos. “Menos que isso não dá. Você não forma jogadores e nem coloca o Londrina na primeira divisão em dois anos.”, disse Alexandre Torres, sócio de Rocha e filho de Carlos Alberto Torres.

O presidente do Londrina, Peter Silva, comemorou. “Será ótimo para o clube. Se der certo, podemos cobrir quase todo custo de manutenção do clube com o dinheiro da parceria, e assim, iremos montar um time forte”, afirmou.

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Atacante de 16 anos é a esperança do Londrina

Atlético-PR, Vasco e São Paulo estão interessados no jogador, que já fez 15 gols em 7 jogos pelo Paranaense Juvenil, média de 2,15 por partida

Núbia Tavares

Veloz, tranqüilo em campo, técnica refinada, joga de cabeça erguida, sem ser fominha. Essas são as principais características de Alan, atacante de 16 anos que já é considerado a maior revelação do Londrina nos últimos anos.

O jogador é tido como a solução para os problemas financeiros do clube. O menino, que chegou ao Londrina três meses atrás, trazido pelo coordenador das categorias de base Udelton Prates, tem chamado a atenção de times grandes do futebol Brasileiro. Disputando o Campeonato Parananse Juvenil pelo Tubarão, Alan marcou 15 gols, em sete jogos. Uma média de 2,15 gols por jogo.

O futebol de craque do jovem atacante fez com que times como Vasco, Atlético paranaense e São Paulo se interessassem pelo passe do jogador. O São Paulo, inclusive, já fez uma proposta ao Londrina. Depois de ser visto pelo olheiro Pupo Gimenez, o clube paulista teria oferecido à diretoria do Tubarão R$ 300 mil por 50% dos direitos federativos de Alan. O LEC recusou, esperando conseguir um valor mais alto. A tendência, porém, é que o jogador seja mesmo negociado com o time paulista.

Para manter a revelação, o Londrina fez um contrato de cinco anos com Alan, além de lhe pagar um salário bem acima do valor de mercado para jogadores das categorias de base. Enquanto os demais atletas do juvenil ganham em média R$ 300, Alan agora recebe R$ 1 mil. A multa, em caso de rescisão de contrato, ultrapassa R$ 1 milhão.

Apesar de ter 16 anos, ele deverá integrar a equipe que vai para o Rio Grande do Sul participar do Campeonato Brasileiro Sub-20, que começa no dia 29 de Maio. Se não for vendido antes, ele também deverá integrar a equipe profissional no Campeonato Paranaense em 2007.

O jogador, que tem Robinho (Real Madrid-ES) como ídolo, diz sonhar com a Seleção Brasileira. ”Espero que um dia eu seja um grande jogador, queria jogar pela seleção, mas tem muito tempo para isso. Estou tentando ficar tranqüilo, para não atrapalhar a minha carreira”, disse o jogador.

O supervisor das categorias de base do Londrina, Lívio Vieira, também aposta que Alan pode um dia vestir a amarelinha. “Até os adversários ele impressiona. Tem uma técnica refinada, além de ser muito humilde e educado. Posso dizer que ele é uma grande promessa do futebol brasileiro e não duvido que um dia ele jogue pela Seleção”, afirmou.

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Saúde

Orelha de abano tem solução, diz especialista

 Cirurgia corretiva aliada a tratamento psicológico pode resolver o problema que afeta crianças e jovens; traumas gerados nessa idade podem trazer problemas futuro

Diego Palmieri

Orelha de abano, Dumbo e abanador. São numerosos os apelidos para quem tem orelhas de abano. Mas o incômodo problema, que pode acarretar em traumas para a idade adulta, tem solução.

 Cirurgia plástica corretiva pode dar conta do recado.Considerado por especialistas como uma deformação natural, o problema pode ser resolvido com uma rápida cirurgia plástica, aliada a tratamento psicológico.

“Trabalhamos a questão da cirurgia com o paciente, muitas vezes, incentivando-o a fazê-la. Mas ela não é mágica. A pessoa tem que saber que às vezes é preciso trabalhar outros problemas psicológicos envolvidos”, revela a psicóloga especialista em comportamento e saúde, Ana Márcia Viana.

Os pais podem estar atentos para sinais que o filho emite. Muitos são vítimas de gozação no colégio. “Eles não querem ir à escola, as meninas prendem o cabelo mesmo no calor. Em alguns casos, alguns se isolam, choram e podem partir para agressão quando perturbados em excesso”, afirma Ana Márcia.

Outra dica, segundo a psicóloga, é prestar atenção para ver qual o grau de relação entre o problema e o comportamento do jovem. No caso de brigas no colégio, ela aconselha parar e analisar para ver até que ponto as discussões podem estar relacionadas à deformidade na orelha. “Às vezes, o jovem ou a criança é agressivo, chora e tem atitudes semelhante aos sintomas do trauma por causa da orelha, mas o problema pode ser outro.

Relacionamento mal resolvido entre pais e filhos e comportamentos típicos da idade podem confundir. Fazer brincadeiras de mau gosto é típico da idade, pois reparam no que o outro tem de diferente. Até certo ponto isso pode ser normal”, diz. Saiba mais sobre orelha de abano

  • Nome Médico: Orelha Proeminente.
  • Origem: Genética. Pode ser encontrada em várias pessoas da família.
  • Correção: Feita por cirurgia que visa diminuir o ângulo entre o pavilhão auricular e o crânio – de forma que fique mais próximo a esse. Corrige a impressão de orelha grande.
  • Cirurgia: Considerada simples, é realizada com anestesia local ou geral. Por uma incisão cirúrgica na parte de trás da orelha é tratada a cartilagem alterada.
  • Recuperação: Em uma semana (média).
  • Preço: Variável, porém grátis por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Terapia musical para jovem

Modismo mundial, vertente musical mais emotiva e romântica coloca jovens no divã do rock; especialista diz que o comportamento pode ser satisfatório e fazer bem

Diego Palmieri

Adorado e venerado desde os tempos de Elvis Presley, o rock anda popularizando uma maneira mais emotiva de interagir com a realidade dos jovens. A nova onda mundial do gênero, conhecida por “emocore” (abreviação em inglês para hardcore emocional), pode servir de estímulo para jovens e adolescentes darem vazão a conflitos internos e externos com mais musicalidade. Cantarolar melodias mais emotivas do que o normal é moda.

“O universo da música ajuda o jovem a enfrentar as questões problemáticas da sua idade. Cantar os problemas faz bem. Permite elaborar melhor os problemas. Ele vê que o seu problema é o mesmo do outro. Isso no seu grupo e também fora”, afirma o psicólogo e professor do Departamento de Psicologia Social e Institucional da UEL, João Batista Martins.

Para o vocalista e baixista do trio musical MXPX, idolatrado por uma legião de “emos” (nome dado a quem curte emocore), em entrevista à Folha de S. Paulo do dia 1º de maio, as músicas fazem sucesso porque são sobre assuntos que as pessoas mais se identificam. “Tento cobrir diversos aspectos da vida, até mesmo política e espiritualidade. Só que o que mais me inspira são as coisas que me tiram do sério. Mas sempre tento dar uma virada, mostrar que não é tão ruim assim viver, apesar dos momentos difíceis”, diz.

Prova cabal do modismo – para muitos apenas música, não estilo de vida – é a proliferação virtual de grupos que fazem apologia ao amor e pregam maior tolerância à bissexualidade e homossexualidade. A maioria dos donos de comunidades sobre estes assuntos se considera emo, como se pode perceber com dois cliques do mouse, navegando por perfis em sites como o Orkut.

Tido como “molengas” (“wimps” ou “weaklings”) por fãs de hardcore, os emos se reúnem também no mundo real e chamam a atenção por onde passam. Possuem moda própria e costumam andar em bandos.

“É comum o jovem se agrupar com outros em razão do gosto, estilos parecidos, durante um tempo. Falar sobre os problemas nesse período é muito importante, não é bobagem. Pode evitar problemas futuros. No caso da música, a partir de seu conteúdo, ele passa a desenvolver e aprimorar seu comportamento social. Se há liderança positiva, o resultado pode ser satisfatório”, revela Martins.

Saiba mais sobre o estilo emocore.

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Comportamento

Novo estilo de vida “emo” desperta amor e repúdio

Adolescentes emo conquistam adeptos e provocam desprezo com estilo e ideologia de vida diferentes

Carla Benedetti

Tido como “molengas” (“wimps” ou “weaklings”) por fãs de hardcore, os emos se reúnem e chamam a atenção por onde passam. Possuem moda própria e costumam andar em bandos. Os integrantes desse novo modismo e estilo de vida possuem não somente uma ideologia e um gosto musical próprio, mas também uma maneira de vestir característica. Por isso, não é muito difícil identificar um emo no meio da multidão: costumam usar camisetas com desenhos de personagens infantis, em especial da gatinha Hello Kitty, franja caída em cima dos olhos, botas de punk, pulseiras e cintos de arribetes, calças xadrez, brincos de argola, piercings, olhos e unhas pintados de preto.

Os emos são apaixonados por um tipo específico de música, conhecida mundialmente como “emocore” (abreviação em inglês para hardcore emocional). O estilo surgiu na década de 80, no cenário punk de Washington, e se popularizou nos anos 90 com influências pós-hardcore. Bandas como Good Charlotte, My Chemical Romance, Simple Plan e Dashboard Confessional são consideras grandes expoentes do ritmo na atualidade. A programação das rádios e a seleção diária de vídeo-clipes na MTV que o digam.

A maioria dos moderadores de comunidades no Orkut tem posição definida sobre o assunto. Existem diversas comunidades a favor do estilo, como “Eternamente emo” e “Um orgulho chamado emocore”. Porém, um elevado grau de agressividade também é encontrado no site de relacionamentos nas comunidades contrárias. Xingamento diversos e comunidades como “Orkut de emo me dá nojo”, ou ainda, “Hitler também era emo”, são comunidades freqüentemente visitadas pelos internautas.

Os emos possuem linguagem própria, são emotivos e expansivos, lutam por um mundo sem violência, fazem apologia ao amor e pregam maior tolerância à bissexualidade e homossexualidade. Às vezes, choram desesperadamente quando ouvem música, principalmente com temas relacionados à família ou a alguma desilusão amorosa. Adoram elogios, se abraçam, trocam carinhos, se beijam em público. As meninas, ainda que não tenham um relacionamento, se chamam de “marida”, mais uma gíria dessa tribo, assim como “fóooofis” e “meeeigo”. Emos costumam trocam o s por x, por exemplo : “Xabia q eu ti amu”.

Leia mais sobre a influência da música no comportamento dos emos.

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Aumento no uso de blogs pode refletir baixa auto-estima

Segundo a psicóloga comportamental, Ana Paula de Moura Alfredo, existem pessoas que se expoem na internet pela necessidade de reafirmação

Carla Benedetti

Utilizados inicialmente como modinha entre a maioria dos internautas de plantão, o blog e seus gêneros, como o fotolog e o videolog, não caíram no esquecimento; ao contrário, mais e mais adeptos lêem e escrevem em blogs, que servem, na maioria das vezes, como diversão eletrônica. Exemplos de blogs voltados à boa informação existem, porém, são poucos os que utilizam a ferramenta para discutir assuntos relevantes.

A proliferação desses meios de comunicação via internet tem desencadeado uma discussão. Por que existe um número cada vez maior de pessoas que fazem uso dos blogs, videologs e fotologs? Uma opção é que esses meios de comunicação são importantes instrumentos para divulgação de informações e discussões. Porém, uma outra explicação seria a necessidade de as pessoas exporem suas vidas para serem mais aceitas no ambiente social.

Segundo a psicóloga comportamental, Ana Paula de Moura Alfredo, o que determina ou não se há algum desvio de comportamento no uso de blogs é o conteúdo postado, assim como a freqüência e o tempo destinado a esses recursos. “ É importante verificar se o que a pessoa relata na internet, é também facilmente relatado para alguém de seu convívio social real. Se há confiança em pessoas de seu contexto ou somente em seus colegas internautas. Verificar também se o tempo despendido a esses meios de comunicação está proporcional às demais atividades da vida cotidiana. E quando a pessoa fantasia em seus blogs, falta com a verdade ao fazer-se passar por quem não é”, argumenta Ana Paula.

Edu César de Oliveira, editor e criador do site papo de bola, contrariando a perspectiva que se tem da maioria dos blogs, afirma que o seu blog e o site que mantém agem de forma importante e positiva tanto na sua vida pessoal como profissional. De acordo com Edu César, os benefícios que esses meios de comunicação eletrônica proporcionam à sua vida são inúmeros. “Pela internet e pelo meu blog, eu posso fazer novos amigos. Atualizar um blog ou um site me dá muito prazer, mas, principalmente, garante minha liberdade de expressão.”

Contudo, a maioria dos blogs ainda reflete a preocupação da aceitação no âmbito social. “A fama instantânea tem sido cultuada em nossa sociedade e colaborado para o crescimento dos adeptos desses meios de comunicação via internet”, finaliza a psicóloga.

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Informática

Do VHS ao DVD, um precipício de diferenças

Relação entre as gerações dos anos 80 e 90 mostra a diversidade entre conhecer a tecnologia ao longo da vida e crescer acostumado a ela

Fábio Calsavara

Se você era criança na década de 1980, provavelmente se lembra de como era ter que levantar do sofá para virar o lado do disco. De vinil, é lógico. Acetato já era coisa do seu avô. Ou então das broncas que levava dos pais por ter que pagar a mais na vídeo-locadora por ter esquecido de rebobinar a fita antes da entrega. Quando algum amigo tinha um disco muito raro, o negócio era copiá-lo. Em fita cassete. Pra ouvir no walkman. Lembrou?

Parece coisa antiga, não? Pois é. E há pouco mais de 25 anos essas eram atividades corriqueiras para boa parte das pessoas. As crianças dessa geração, na grande maioria das vezes, eram as responsáveis por “apertar os botões” de todo e qualquer equipamento que fosse ligado à tomada e emitisse sons ou luzes. E como se irritavam se o pai ou a mãe não conseguissem colocar a data e a hora no vídeo-cassete, ou mesmo aquecer uma porção de carne no microondas.

Pois a vingança chegou. E os filhos dos anos 1990 cresceram, ávidos por novidades e já cercados de toda a sorte de aparatos eletrônicos, com muito mais botões a serem apertados, com muito mais luzes e sons a serem emitidos. Hoje, qualquer adolescente de 15 anos tem uma habilidade com computadores que certamente surpreenderia os mestres da informática da década de 1980. E são eles que facilmente se irritam se os pais não conseguem acessar os extras daquele DVD; ou se o minúsculo tocador de MP3 permanece lá, mudo, mesmo após terem sido pressionados todos os controles.

O lado bom de tudo isso? Os computadores, verdadeiros ícones dessa revolução, possibilitaram a (quase) todos o acesso instantâneo a qualquer tipo de informação. Se há duas décadas ter uma coleção da Barsa ou da Delta-Mirador era como ser o detentor de boa parte do conhecimento humano, hoje com enciclopédias on-line em menos de uma hora dá pra saber quase tudo sobre quase qualquer coisa. A comunicação se tornou mais ágil; em substituição aos bilhetinhos de amor, os apaixonados hoje trocam SMS (as mensagens de celular), e-mails, mensagens instantâneas (como no MSN) e até mesmo scraps no Orkut. Mas, para os nostálgicos, nada substitui uma carta perfumada. Pelo menos até o computador transmitir cheiros.

Então, um dia seus netos darão risada ao ouvir você contar como era levar o rolo de filme para revelar, para só então, de posse dos negativos, escolher as fotos a serem ampliadas. Quando isso acontecer, lembre-se de quando você se estressava com sua avó, por ela não saber mudar o canal da televisão pelo controle remoto.

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Apple resiste ao tempo e completa 30 anos

A semente, plantada em 1976, ainda hoje gera frutos e é uma das poucas remanescentes do pomar do Vale do Silício

Fábio Calsavara

“Obrigado por ter o cuidado de disponibilizar aos consumidores um produto que é simplesmente maravilhoso no design e elegante em sua estrutura e no seu funcionamento”.

“Ele te faz perceber o quanto a vida pode ser simples. Eu o amo. A diferença de preço é compensada quando se compara o seu valor. É impressionante ter um computador que realmente funciona”.

Quantas pessoas podem se referir assim ao seu próprio computador? Praticamente todas elas. Se tiverem um Mac. Esses depoimentos foram retirados do site oficial da Apple, e são uma pequena amostra da veneração que os usuários têm pela marca da maçã.

A empresa, criada pelos estudantes universitários Steven Jobs e Stephen Wozniak, começou literalmente num fundo de quintal. A garagem da casa dos pais de Jobs foi a primeira sede da Apple Computer. Lá, eles projetaram, em 1976, o Apple I, um computador para os fãs do “faça-você-mesmo”. Quem comprava, levava apenas a placa de circuito impresso. O preço do “brinquedo”? Sugestivos US$666,66. No ano seguinte, o Apple II revolucionou o mercado da informática, com aplicativos que podiam ser utilizados tanto por grandes empresas quanto por donas de casa.

Era a chance de ouro para a Apple se tornar a líder de mercado, desbancando a IBM. Entretanto, a empresa cometeu aí seu primeiro erro: fechar o seu sistema, o que fez com que os projetistas de programas migrassem para a plataforma PC. Pouco depois, Jobs foi convidado a se retirar da empresa. O segundo grande erro.

Os anos passaram, as dívidas aumentaram, e a Apple esteve prestes a fechar as portas em meados da década de 1990. Foi aí que houve a redenção: Jobs foi recontratado e a empresa deu uma guinada na sua história. Com projetos de design inovador, como o iMac (inicialmente translúcido e colorido) até o MacMini (com o tamanho de aproximadamente cinco caixinhas de CD’s empilhadas), a Apple voltou a ser referência no mundo da informática. Mesmo a antiga rival Microsoft se rendeu, e hoje produz softwares exclusivos para os Macs.

Trinta anos de estrada é exceção, não a regra. E a Apple chegou a essa marca em um mercado caracterizado pela volatilidade. A Compaq, de quem restou somente a marca (vendida hoje pela HP) que o diga.

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Edição 02 – 02/05/06

Cultura

Mutantes se reúnem para shows na Inglaterra e nos Estados Unidos

Zélia Duncan substitui Rita Lee, que não participa das apresentações; Liminha, baixista da formação clássica, também recusou o convite para o retorno

André Simões

Os Mutantes estão de volta, com os irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista reunidos depois de 33 anos, para uma temporada de shows que passa por Londres (22 de maio), Nova Iorque (21 de julho) e Los Angeles (23 de julho).

A notícia a princípio merece a comemoração irrestrita de qualquer admirador que se preze da música brasileira. Os Mutantes, criados em 1968, foram uma das peças centrais para o movimento tropicalista e para a maturidade do rock nacional, dando um passo além da ingenuidade jovem-guardista. Porém, há vários fatores para esfriar o ânimo dos mais exaltados.

Primeira e notadamente, Rita Lee está fora. Se era apenas uma dos elementos fortes no trio criativo, em sua carreira solo a parte feminina da banda foi de longe a mais bem-sucedida. Sua ausência é impactante, e sua anunciada substituta provoca calafrios nos puristas: Zélia Duncan, com uma voz grave e agressiva, quase a antítese da Rita de outrora. Sérgio diz ter ficado extasiado com as interpretações da nova Mutante, e a própria Zélia se diz segura e receptora da confiança de Rita, que teria abençoado sua participação. Ainda assim, a combinação Zélia Duncan/Mutantes não é exatamente corriqueira.

Outra ausência é a do baixista Liminha, que, embora não desfrute da glória de uma Rita Lee, transformou-se em sua carreira pós-Mutantes num Rei Midas entre os produtores fonográficos, assessorando de Titãs a Daniela Mercury. É, portanto, outro membro que se deu bem na vida e não topou encarar a empreitada – sintomático, não? Em compensação, Dinho, baterista da formação original, de fama e competência inversamente proporcionais, está confirmado na retomada.

Para completar a ducha de água fria, o grupo é reticente quanto à extensão da turnê para o Brasil e quanto à possibilidade de novas gravações. O que está certo são só os shows para os gringos mesmo.

Feitas as necessárias ressalvas, fica a torcida. Porque mesmo sem Rita, sem Liminha, e com um Arnaldo genial, mas epicamente lesado, são os lendários Mutantes que estão voltando. Que dê certo e prospere.

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Esporte

Torneio de futebol comemora dia do trabalhador em Londrina

Cento e dez equipes participaram da maratona de 48 horas de futebol promovida pela Fundação de Esportes de Londrina, em homenagem ao dia do trabalhador

Émerson AraújoCom 110 equipes inscritas, terminou no dia 1º de maio a segunda edição do Torneio de Futebol do dia do Trabalhador, organizado pela Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Diferente do ano passado, que foram 32 horas ininterruptas de competição (feito que mereceu indicação para o Livro dos Recordes Brasileiro, do site Rank Brasil e 75 times, neste ano o evento aconteceu durante três dias: 29 e 30 de abril das 8 horas à meia-noite e 1º de maio,das 8 às 19 horas.O campeão do masculino foi o time do Jardim Califórnia. O time, que perdeu a final ano passado para o Jardim Leonor, eliminou os rivais na semifinal esse ano. “Foi uma revanche, eles chamavam a gente de freguês, mas a gente provou que hoje a história é outra”, disse Baiano, que joga no Califórnia. Na final o time venceu o Santa Rita C, por 2×0, e faturou o título.

O líder comunitário do Jardim Califórnia, Luciano Elias Oliveira, emocionado com a vítória, falou da união e do empenho de seus atletas, que os fez merecedores do título. Ressaltou ainda a importância social de eventos desta natureza, que servem como incentivo para os jovens ingressarem no esporte, seja com objetivos profissionais ou não.

O grande número de equipes participantes fez deste, um evento democrático. Nos times, elencos que misturava jogadores de fim de semana e atletas que, se fossem profissionais nada deixariam a desejar. Exemplo dessa mistura é o atacante do Jardim Califórnia, Sérgio, que apesar de acima do peso (120 quilos), fez o primeiro dos dois gols de seu time na grande final contra o Santa Rita C.

Com apenas quatro inscritos, o torneio feminino não foi menos disputado. A final entre o SOSU – Alto do Cafezal e Jardim Sabará rendeu bons momentos aos quase dois mil espectadores presentes no Estádio do Café, e a decisão do título só veio após a disputa de pênaltis, com vantagem para o Cafezal. A atacante Graziele Bartolo, de 25 anos, foi uma das melhores em campo, e creditou a vitória ao esforço conjunto da equipe. Segundo ela, a equipe já treina junto há bastante tempo. “De dez jogos disputados, costumamos ganhar nove” diz.

Satisfeito com os resultados, o Diretor Técnico da FEL, Ariobaldo Frisseli, já pensa na próxima edição do torneio. Frisseli avaliou positivamente esta homenagem ao dia do trabalhador, tanto pelo número de times como pela presença de público.

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Saúde


Baixas temperaturas londrinenses podem derrubar a balada noturna
Portadores do HIV tem novas soluções para problemas de auto estima

Patrícia Alves

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2003, entre 35 e 42 milhões de pessoas no mundo são portadores do vírus da AIDS, o HIV. Desses, 26 milhões estão na faixa que vai dos 15 aos 49 anos de idade. A falta de auto-estima que muitas dessas pessoas têm para dar continuidade à vida faz com que elas não lutem pela sobrevivência. Entretanto muitos trabalhos são feitos atualmente para mudar este tipo de atitude.

O vírus que circula no sangue de milhares de adolescentes com Aids – embora seja mortal – não consegue matar a vontade que esses garotos e garotas têm de experimentar, como todos os outros de sua idade, o gosto do primeiro beijo e da primeira experiência sexual. “Constatamos que muitos criadores têm dificuldades em conversar com os adolescentes sobre sexo. Eles enxergam a sexualidade do jovem soropositivo como um problema que merece intervenção, principalmente porque pode representar perigo de infecção para os outros e gravidez.

Ocorre que, com apoio ou não, os jovens com HIV vão provavelmente viver sua sexualidade”, afirmou o coordenador da pesquisa e do projeto ECI-Brasil, José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres. O estudo foi desenvolvido em 2003, em Santos e São Paulo, e teve como objetivo fazer um levantamento profundo das necessidades e conflitos vivenciados por 23 adolescentes de 10 a 19 anos, escolhidos pelos mais variados critérios. No campo da estética, o soro positivo também tem opções.

A lipodistrofia é considerada uma alteração no tecido adiposo que deixa – principalmente pessoas portadoras do HIV – com pernas, braços, nádegas e rosto do abdômen, tórax e nuca com concentração excessiva de gordura, e existem várias possibilidades de tratamentos para este sintoma do vírus. No Brasil, o mais comum é com o metacrilato – um derivado do petróleo utilizado em procedimentos estéticos há quase dez anos – pois além de se obter excelentes resultados estéticos e duradouros com este material, ele tem um custo menos elevado.

O tratamento consiste de injeções, feitas paralelamente nas áreas atrofiadas, é um procedimento relativamente simples, mas que só deve ser realizado por profissional médico experiente e capacitado. Segundo o Dr. Márcio Dantas de Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual e que realiza o tratamento com o metacril, cada sessão leva em torno 40 minutos e o paciente pode ir embora normalmente. Os jovens precisam muito mais do que fatos sobre sexo, eles precisam questionar, desenvolver a capacidade de tomar decisões, comunicá-las aos outros, lidar com os conflitos e defender as suas opiniões, mesmo que essas sejam contrárias às opiniões dos outros.

Por fim, o comportamento do adolescente é muito influenciado pela família, amigos, professores e principalmente pela mídia. Estes podem desempenhar um papel fundamental, e devem atuar aumentando a conscientização sobre as práticas que afetam a saúde do adolescente, como o abuso de drogas e de álcool e a prática do sexo inseguro.

Reivindicações dos Adolescentes que vivem com Aids

  • A proposta é que questões como HIV/AIDS, a cultura do não preconceito e da não violência sejam incluídas na grade curricular do curso de formação de professores, de pedagogos e de educação física.
  • As campanhas devem envolver toda a comunidade escolar (incluindo família), enfocando a questão dos direitos humanos das pessoas vivendo com HIV.
  • É importante que todas as escolas disponham de espaço específico e profissionais habilitados para atendimentos emergenciais de saúde. Nos casos em que isso não for possível, é preciso articular uma parceria com algum serviço de saúde próximo à escola.
  • Os serviços de saúde devem ampliar seu diálogo e articulação com a escola para debater o assunto das DST/AIDS com maior clareza, envolvendo educadores, alunos, funcionários, pais e comunidade, abordando as questões relacionadas à sexualidade, gênero, drogas e adolescência.
  • Para adolescentes com HIV, atividades de cultura, lazer e esportes representam um importante instrumento de promoção da auto-estima; de inclusão e participação social e de resgate do prazer de viver.
  • É fundamental esclarecer aos profissionais de educação física que os adolescentes vivendo com HIV devem ser estimulados à prática de exercícios físicos regulares (respeitando restrições médicas para casos específicos e não estabelecendo restrições genéricas).
  • Contar ou não contar para o(a) parceiro(a), ou entender as possibilidades de namorar, casar, ter filhos são alguns dilemas da vida afetivo-sexual dos adolescentes soropositivos. É preciso que a família, a escola e os serviços de saúde estejam preparados para orientar os adolescentes nestas situações, em especial a gestante.
  • O estado sorológico dos adolescentes não deve ser fator de exclusão do mercado de trabalho.

Fonte: Agência de Notícias dos Direitos da Criança

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Comportamento

Líder tibetano vem ao Brasil e critica o modismo

O 14º Dalai-Lama critica a prática ocidental de seguir o budismo só por causa da moda, sem conhecer suas origens e preceitos reais

Mayra Marin

Nos dias 26, 27 e 28 esteve no Brasil Tenzin Gyatso, o 14º Dalai-Lama. Além de entrevistas, o líder máximo da tradição tibetana fez algumas palestras, cujos ingressos não saíam por menos de R$ 70,00, e chegavam até a R$ 260,00. E o perfil de seus ouvintes não podia ser mais contraditório: em sua maioria, eram mulheres vestidas dos pés à cabeça com grifes (Blusinhas de algodão da GAP e sandálias rasteirinhas Prada são alguns dos exemplos do que o líder encontrou). A publicitária paulistana Ana Carolina Vieira Lustosa, definiu a platéia que o mestre reuniu em Cotia, na Grande São Paulo, “só a gente é assim, hippie e chique. Um pouco de Daslu, um pouco de Woodstock”.

Diante de tanta “diversidade” dentre seus ouvintes, o Dalai-lama não perdeu tempo: “Sempre digo que é melhor manter sua própria tradição em vez de se aventurar e adotar uma nova religiosidade, com o qual não se tenha intimidade” criticou, com “luvas de pelica”, o líder tibetano. A crítica foi, sobretudo, aos “new age” que “misturam elementos de várias religiões e acabam esquecendo as origens singulares de cada uma”. Falando pausadamente e com o traje típico nas cores bordô e amarela, o dalai-lama contou da alegria de estar no Brasil pela terceira vez (as outras aconteceram em 1992 e em 1999) e mesclou inglês e tibetano em suas respostas. Seu discurso foi do elogio à ciência ao desencorajamento do “novo budismo”.

Conhecendo o Budismo

“Para mim, o budismo é a ponte entre o materialismo e o espiritualismo”, afirmou o Dalai Lama, ao ser questionado sobre a relação entre a milenar religião oriental, da qual ele é um dos principais líderes, e disciplinas mais modernas como a psicologia e a neurociência. O Budismo não tem Deus nem se baseia em reza: busca eliminar o sofrimento analisando o funcionamento da mente. Uma das técnicas utilizadas é a meditação, pesquisadores ocidentais começaram a investigar os efeitos da meditação Budista no cérebro humano. Desde 2002, Richard Davidson, professor de Neurociência na Universidade de Wisconsin, vem colocando centenas de eletrodos na cabeça de monges que já meditaram por anos a fio. Os resultados deixaram os pesquisadores impressionados. Eles comprovam a habilidade dos meditadores experientes em controlar todos os tipos de ondas cerebrais.

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Informática

Diga bye-bye à macarronada de fios

Tecnologia Wi-Fi pode ser usada em qualquer lugar, sem a necessidade de fios e com qualidade para imagem e som

Patrícia Oseki

Se você está cansado do emaranhado de fios. Um novelo que só dá trabalho na hora da Dona “Marinete” que trabalha na sua casa vai limpar o chão, ou você mesmo, no caso de morar fora e ter que se virar sozinho, seus problemas PARECEM ter se acabado. A não ser pelo custo da alta tecnologia. Mas isso é só um detalhe…

A “alta fidelidade sem fio” traduzindo do inglês “wi-fi” para o português ao pé-da-letra traz algo que você jovem custará um pouco a ter – organização. Se no local onde você faz estágio, que provavelmente ainda está muito longe da sua realidade, tente imaginar o seu chefe acessando o laptop dele da sala onde quiser, seja grudado no seu pescoço ou de qualquer outro funcionário; o pessoal do design acessando remotamente de outro local sem ficar necessariamente preso a uma sala, podendo interagir e mostrar o seu produto final ao cliente na empresa dele, baixar músicas para colocar em sites instituicionais ou em sua página pessoal (blog); poder mandar as tarefas diárias para seu chefe sem ter que gastar com o transporte – já que é estagiário e não ganha nada, e ainda acessa com toda a comodidade de poder usar seu toillet exclusivo; sonhar com uma realidade idealizada – poder ter isso tudo ao alcance das mãos.

Isso sem contar que seu namorado, que parece ainda ser adolescente, não se desconecta do pc porque o jogo é on-line e ele “não pode” se desligar sob pena de ter seu personagem “morto” em uma das infindáveis batalhas.

Existe um dispositivo, a partir de equipamentos específicos que distribui o sinal pela casa, empresa ou ambos – um tal de Roteador Wireless.

Com ele é possível que várias pessoas acessem a Internet ao mesmo tempo. A forma mais conhecida são aqueles infindáveis cabos azuis que mais parecem um emaranhado de macarrão colorido, para ter acesso a uma rede física assim, é preciso colocar canaletas nas paredes conduzindo tudo de sala em sala ou cômodo. Outra maneira, mais estética, menos poluidora visual e que não ocupa espaço é a tecnologia Wi-Fi – que interliga computadores sem fio. Atualmente, é o sistema de conexão em rede que mais cresce no mundo. Mas no Brasil, está muito longe de se tornar acessível à grande maioria dos jovens, haja vista seu custo, e levando-se em consideração que ainda vivemos em um país em que existem universitários que não dispõem nem de um PC decente em casa, quanto menos uma conexão adequada.

Mas com a tecnologia sempre vêm a tiracolo um empecilho – as falhas na segurança. Um exemplo que pode ser dado, é a tecnologia wi-fi do Banco do Brasil, que ainda está em fase de testes, para que o cliente acesse sua conta do seu aparelho celular apenas por dados e não por voz.

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Edição 01 – 25/04/06

Cultura


Depois de anos fora de catálogo, “Tim Maia Racional” é relançado em CD

Álbum lançado em 1975 e renegado pelo próprio artista acabou virando objeto de culto, com cópias originais chegando a valer R$250

André Simões

Os pirateadores de plantão podem se entristecer: “Tim Maia Racional”, o best-seller do ramo, acaba de ganhar relançamento oficial pela gravadora Trama, perdendo o status de artigo raro para ganhar as prateleiras das lojas de discos.

O álbum do compositor já nasceu lendário: pelos idos de 1975, o já famoso e inequivocamente chapado Tim Maia se envolveu com a seita Universo em Desencanto, que pregava a “cultura racional”. Como resultado de sua conversão, largou as drogas, desfez-se de tudo que achava supérfluo (geladeira e televisão inclusos, diz a lenda) e passou a só usar roupas brancas.

Seu súbito misticismo não deixou impune nem seu trabalho: Tim pegou as bases de um disco já pronto para a RCA e adicionou novas letras, propagandistas de sua nova condição. A gravadora não gostou nada da brincadeira e vetou o álbum. Obstinado, o cantor fundou um selo apenas para abrigar seu novo projeto. De cambulhada, obrigou os membros de sua banda a também se converterem integralmente – o que incluía a pintura de trombones e saxofones em inusitada cor branca.

À época, o projeto Racional foi um magnífico fracasso. Em meio às tensões da ditadura militar, ver aqueles malucos em branco cantando sobre o “livro da verdade” e a “imunização racional” parecia o cúmulo da alienação. O próprio Tim, depois de mais um álbum, ainda em 1976, desencantou-se com a seita e voltou à vida mundana, nunca mais retomando as canções da fase racional em shows.

A perspectiva histórica, entretanto, trouxe a devida reavaliação do álbum. Por trás das letras alucinadas estavam canções que continham o auge de um explosivo senso rítmico. A voz de Tim, beneficiada pela trégua do álcool e das drogas, nunca tinha atingido tanta limpidez e notas tão agudas – e nunca mais conseguiria atingir.

Fora de catálogo, o álbum se multiplicou no mercado negro, e as poucas cópias originais, compradas com pequenas fortunas, estão nas mãos de gente como Marcelo D2. O problema é que Tim tinha urticária quando lhe sugeriam relançar o símbolo de uma fase que queria esquecer.

Há algo de humor negro no fato de que só a morte de Tim torna possível a correta apreciação de seu “Racional”. Postas à parte as questões éticas, sobra um grande álbum, agora plenamente disponível. E que o ainda inédito Vol. 2 também venha à luz!

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Esporte


Iate se classifica para quadrangular final do Paranaense de Futsal sub-17

Fábio Ciquini

O time de Londrina terminou o quadrangular em 2º lugar. Em busca do tricampeonato, vai enfrentar as equipes de Cascavel, Cianorte e Altônia.

O time de Futsal do Iate/Fatão/Colégio Pontual se classificou em 2º lugar no penúltimo quadrangular do Paranaense sub-17, realizado neste final de semana em Londrina. Jogando em casa, o time do técnico Jair Machado venceu o jogo de sexta feira contra os meninos de Carambeí por 4X3, no sábado perdeu para o time da cidade de Altônia, que terminou em primeiro na chave, por 5X4, e, ontem, goleou o Naga/Umuarama por 4 tentos a 0.

No outro quadrangular semifinal realizado em Cornélio Procópio, o Cascavel/Belleti terminou em primeiro, seguido de perto pelo SME/ Cianorte.
Os quatro times disputam o quadrangular final que vai ser realizado nos dias 5, 6 e 7 de maio.

A competição

O Paranaense de futsal sub-17 começou com 27 equipes de todo estado jogando, cada uma, com adversários da respectiva região. O time do Iate, por exemplo, enfrentou clubes de Londrina, Ibiporã, Cambe, entre outros.

Os melhores classificados iniciam as fases eliminatórias, jogando em quadrangulares.Os dois primeiros de cada grupo vão se classificando para as fases finais, até que se tenha o quadrangular final para decidir quem será o campeão do torneio.

Londrina bem representada

O time do Iate/Fatão/Colégio Pontual é bicampeão do torneio, e, até o momento, tem o artilheiro do campeonato; Cídio Henrique, com 20 gols marcados. “Não só a minha, mas a preparação do time todo tem sido muito boa, treinamos para isso mesmo”, afirma o jovem artilheiro de 16 anos.

Entretanto, as condições para a prática do esporte na região têm que melhorar. De acordo com o técnico Jair Machado, faltam quadras oficiais e o incentivo financeiro não vem para todos os clubes. “Nós somos, de certa forma, exceção. Conseguimos empresas que confiam no nosso trabalho, mas a maioria dos clubes tem problemas para manter uma estrutura de trabalho para o futsal”, analisa Machado.

Técnico de futsal do Iate há 15 anos, 120 títulos conquistados, o treinador – que tem alguns de seus ex-atletas jogando na Itália – faz planos: “No ano que vem é provável que tenhamos um time adulto de futsal em nossa cidade, e quem sabe Londrina não se torna uma referência nesse esporte?”.

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Saúde


Baixas temperaturas londrinenses podem derrubar a balada noturna

Patrícia Alves

Em Londrina, a queda na temperatura já trouxe blusas e casacos para as ruas. A grande massa de ar polar que se desloca por cima da região Sul e parte da Sudeste do Brasil vai baixar um pouco mais as temperaturas em todo Estado. O risco de gripes e resfriados é iminente. Aparentemente simples, por ser doença comum, durante o inverno, a gripe pode trazer complicações sérias, daí a necessidade de campanhas de vacinação, principalmente para idosos, promovidas durante o outono. Mas os jovens não estão fora do perigo.

As baladas noturnas, tão apreciadas pelos jovens da cidade pode ser um grande vilão. Sair a noite, a uma temperatura menor que 15 graus, pode sim derrubar qualquer um. A gripe e o resfriado têm sintomas semelhantes, porém com intensidades diferentes. O resfriado, geralmente, inicia-se com coriza e espirros e o que mais incomoda é o congestionamento nasal. A gripe provoca mal-estar de corpo e pode deixar a pessoa de cama por alguns dias. Seus sintomas mais comuns são: cansaço, dores no corpo, garganta inflamada, dores de cabeça, tosse, febre de, até, 40 graus.

Mas como os jovens fazem para se prevenir desse problema e não perder o melhor da noite outonal de Londrina? O estudante de jornalismo Marcel Rauen, de 24 anos, diz trocar a boa e velha cerveja gelada do verão, por bebidas mais quentes, como chocolate com conhaque, ou só o conhaque mesmo. “Além disso, procuro lugares diferentes, mais fechados, e uma boa companhia, sempre ajuda a aquecer. Ah! Sair bem agasalhado é imprescindível”. Aline Sanches, estudante de matemática, de 22, já declara não ter cuidado nenhum. “Coloco uma blusa e saio, se a gripe me pegar, ai vou ter que me cuidar mesmo”. Rafael Alves, garçon, de 25 anos, concorda com Marcel, e acrescenta que um bom agasalho, um lugar quentinho e comidas bem quentes, é o que faz ele agüentar um trabalho duro durante um noite gelada.

Mas os cuidados tem de ser mais precisos, para não correr o risco de ficar em casa nesse outono-inverno. Caso abuse, vai a dica: cama, sopa quentinha, um bom remédio anti-gripal, um chocolate quente (sem conhaque!), e muita calma.

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Comportamento


Padrões de beleza e suas implicações serão discutidos em São Paulo

Essa padronização de conceitos estéticos, à procura da “beleza ideal” tem levado muitos a prejudicar a própria saúde

Mayra Marin

São Paulo será sede, de 9 à 11 de novembro, da conferência “Beleza Sustentável 2006”, evento que contará com a participação de importantes nomes da medicina, moda e publicidade, como Augusto Cury, Christina Carvalho Pinto, Ana Beatriz Barbosa, Nádia Bacchi, Paulo Gaudêncio, entre outros, e tratará de um tema fundamental: a escravidão da sociedade pelos padrões de beleza impostos por essa mesma sociedade. Assuntos polêmicos e contraditórios, como a indústria da beleza; ser X ter; insatisfação e consumo sustentável; produtos e serviços éticos; o papel dos veículos de comunicação e das agências de publicidade, serão discutidos na conferência, que espera contar com 750 participantes. Os resultados das palestras do evento resultarão em uma “Carta aos Editores”, que será publicada pelos veículos de comunicação.

Essa conferência abre o precedente para que tais problemas sejam discutidos e, posteriormente, resolvidos pela sociedade que os criou, uma vez que “o” padrão de beleza ideal tem levado muitos a prejudicar a própria saúde. É cada vez mais comum, por exemplo, a realização de cirurgias plásticas com propósito estético, assim como também é fácil encontrar quem tome remédios sem receita médica (ou, o que é pior, às vezes com receitas de “picaretas”) com essa mesma finalidade, além, é claro, daqueles que arriscam a própria vida com “dietas mirabolantes”, que prometem fazer “milagres” com a silhueta daqueles que assim o desejarem. O Brasil é vice-campeão em cirurgias plásticas no mundo, perdendo somente para os Estados Unidos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Em 2004, por exemplo, foram realizadas 617 mil cirurgias, 60% delas para fins estéticos. As mulheres representam 70% das intervenções, e os adolescentes, 15%. Uma pesquisa realizada com mais de 3.000 mulheres entre 18 e 64 anos, de dez países, mostra que mais de 60% delas se classificam entre média e natural, enquanto que 0% se considerou sexy. Dados preocupantes, numa época em que se pode ter acesso a diversas “parafernálias” para se alcançar a aparência desejada; parafernálias essas nem sempre seguras. A historiadora Mary Del Priore resume o desatino dessa cultura narcisista: “Com a tirania da perfeição física, todos querem participar da sinfonia do corpo magnífico, quase atualizando a intolerante estética nazista. Numa sociedade de consumo, a estética surge como motor do bom desenvolvimento da existência, e a feiúra é vivida como um drama”.

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Edição do Dia Global do Voluntariado Jovem de 2006 comemora os resultados

Jovens de todo o Brasil participaram de ações voluntárias para a melhoria de sua comunidade

Ana Paula Santos

Os dias 21, 22 e 23 de abril marcaram uma realização que movimentou o voluntariado brasileiro. As datas foram escolhidas para celebrar o Dia Global do Voluntariado Jovem 2006, projeto mundial de iniciativa da Youth Service América e Global Action Network e que, no Brasil, é coordenado pela ONG Natal Voluntários há quatro anos. Nesta última edição, o Dia Global alcançou 188 cidades brasileiras e mobilizou mais de 50 mil voluntários.

O evento contou com jovens voluntários que prestaram ações positivas para assistência às comunidades. Os próprios jovens discutiram e planejaram as ações de que a comunidade necessita. No interior do Paraná, cinco cidades fizeram parte do projeto: Apucarana, Arapongas, Faxinal, Jandaia do Sul e Kaloré. Foram realizadas ações como palestras sobre a conscientização de como aproveitar melhor os alimentos, sobre a importância da doação de sangue e medula óssea, sobre o uso correto da água, sobre meio ambiente, assim como arrecadação de alimentos, roupas e materiais de limpeza. Em Curitiba, alunos e professores de enfermagem atenderam cerca de 1000 pessoas da comunidade, realizando testes de glicemia e pressão arterial.

O Dia Global do Voluntariado Jovem está presente em mais de cem países e visa estimular o interesse dos jovens pelo trabalho voluntário e em equipe, ampliando sua participação na sociedade com formas criativas de resolver os problemas comunitários. Os temas não são obrigatoriedade das ações dos comitês, cada um pode escolher o que sua cidade ou seu bairro mais precisa e que tipo de solução deve ser concretizada. Entretanto, a intenção do Dia da Ação Global é o mesmo em todos os cantos, despertar os jovens para a realidade de onde vivem e fazer com que eles comecem a se interessar por isso, podendo assim criar uma teia de responsabilidade social que engloba toda a comunidade.

2 Respostas para “Arquivos”

  1. Valquiria de Moraes Barros Disse:

    Boa Tarde!

    Meu nome é Valquiria Barros.
    Após muitos anos em busca de uma solução
    para a fibromialgia de minha mãe, experimentamos
    um produto natural que a curou.
    Esse produto também combate artrite, artrose, reumatismo, etc.
    Gostaria de saber se vocês querem conhecer o produto
    E levar esse benefício para outras pessoas que sofrem?

    Grata,

    Valquiria
    (011) 5505-2282
    http://www.viversemdor.com

  2. Rafael Disse:

    Ainda bem que certos namoros acabam.
    Tem pessoas que consegue viver muito bem mesmo com um relacionamento à distância, porém tem outras que não importa a distância, não há possibilidade de convivio.

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